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19/06/2010 - 20h36 / Atualizada 19/06/2010 - 21h29

Ex-primeiro-ministro Villepin anuncia novo "movimento" político na França

Javier Alonso.

Paris, 19 jun (EFE).- O ex-primeiro-ministro francês e antigo ministro de Exteriores, Dominique de Villepin, deu hoje mais um passo em sua rivalidade com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ao anunciar uma nova formação política conservadora.

O que Villepin chamou de "movimento" tem um nome: République Solidaire (República Solidária), que o chefe de Governo do ex-presidente Jacques Chirac apresentou com um discurso no qual denunciou a "acumulação" de cargos e de salários na política.

O rival político de Sarkozy lançou sua formação cercado de milhares de simpatizantes, aos quais convocou no Halle Freyssinet, uma antiga instalação industrial no XIII distrito de Paris, utilizada, entre outros fins, para desfiles de moda.

A República Solidária tem o objetivo de substituir o Club Villepin, embora ainda não esteja claro se será o partido pelo qual o ex-primeiro-ministro se candidatará à Presidência nas eleições de 2012.

Em seu discurso, Villepin atacou em primeiro lugar as pessoas que veem na política uma forma de acumular poder e dinheiro, depois de diferentes denúncias de excessos nos dois âmbitos por parte de altos representantes políticos ligados a Sarkozy.

"Que todos os que em nosso país se rendem ao fatalismo (...) possam deixar-se convencer que algo novo surge na França, algo que com os meses não deixará de crescer", assegurou Villepin a seus seguidores.

No tom solene que Villepin deu a seu discurso, ele se dirigiu aos "cidadãos reunidos, de todas as origens, de todas as condições, para dizer uma só coisa: queremos viver juntos, reconstruir uma nação e ter uma ideia certa da França".

"Se não tomarmos nota disso, a impaciência se transformará em cólera e a cólera em violência", advertiu o ex-primeiro-ministro, sobre a sensação que disse ter percebido entre os cidadãos franceses em suas viagens pelo país para encontrar apoios ao novo movimento político.

O anúncio de Villepin foi antecipado por ele mesmo, após enfrentamento nos tribunais com o presidente.

Embora esteja fora do caso conhecido como Clearstream, de falsas listas com nomes de supostos perceptivos de comissões ilegais, Villepin terá que enfrentar a Justiça novamente em 2011, em um recurso que o ex-primeiro-ministro alega ter sido apresentado por Sarkozy, depois que o tribunal de Paris determinou sua absolvição em primeira instância.

"Esta decisão foi tomada por um homem, Nicolas Sarkozy, que prefere perseverar na vingança, no ódio, em vez de defender as instituições", disse Villepin no dia 29 de janeiro, ao ser informado que enfrentará a Justiça no ano que vem, depois do recurso apresentado pela Procuradoria.

Ele irá a julgamento um ano antes das eleições presidenciais, nas quais deve ser candidatar, embora alguns membros da governante UMP vejam ainda margem para manobras do Palácio do Eliseu para que o combate com Sarkozy seja evitado, como uma possível volta de Villepin ao ministério de Exteriores.

Porém, tal oferta parece ter sido afastada se for levada em conta a atividade de Villepin que, no entanto, não se traduziu ainda em votos, segundo as pesquisas disponíveis.

O jornal "Le Monde" publicou hoje as "pistas" da tendência do eleitorado e revelou, apoiado em resultados de várias pesquisas de intenções de voto, que a quem tiraria mais votos de Sarkozy seria Villepin se fosse candidato.

No entanto, o diário menciona que Villepin conta com apenas 7% das intenções de votos, em grande parte de comerciantes, profissionais liberais e diretores de nível meio e, em menor medida, de operários e aposentados.

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