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25/06/2010 - 20h55 / Atualizada 25/06/2010 - 20h58

Disputa sobre gasto público ofusca início do G8

Paco G. Paz.

Toronto (Canadá), 25 jun (EFE).- Os países do Grupo dos Oito (G8, principais países ricos e Rússia) iniciaram hoje uma reunião de dois dias, determinados a tratar de temas relacionados a segurança e prometer ajudas para a saúde na África, intenções eclipsadas pelas disputas sobre austeridade fiscal.

Perto do meio-dia o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, deu as boas-vindas aos líderes dos Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia na idílica localidade de Muskoka, no sul do Canadá, em um exclusivo complexo hoteleiro rodeado por florestas e lagos.

Sobre a mesa estava a chamada "Iniciativa Muskoka", um projeto para obter novos recursos para acabar com a morte desnecessária de milhões de mulheres e de seus filhos no parto devido a falta de atendimento médico.

As Nações Unidas querem mobilizar US$ 30 bilhões para o projeto e o Canadá, que abraçou a iniciativa, pôs sobre a mesa US$ 2,85 bilhões para os próximos cinco anos, a fim de que os outros países façam o mesmo e também se comprometam.

Com este ponto sobre a agenda e outros de interesse, como a mudança climática, a luta contra o narcotráfico e as crises do Irã e da Coreia do Norte, os líderes reunidos em Muskoka deram uma imagem de unidade tanto no almoço de trabalho como na posterior 'foto de família' as margens do Lago Península.

No entanto, antes de iniciar a reunião alguns dos líderes aludiram às divergências que mantêm sobre a necessidade de manter o gasto público para estimular a economia, como defendem os Estados Unidos, e de reduzir o déficit, como já fizeram alguns países europeus.

De fato, este foi um dos assuntos tratados por Harper quando recebeu o primeiro ministro britânico, David Cameron, em frente ao complexo hoteleiro.

Harper parabenizou Cameron pelo recente corte da despesa aprovado na Inglaterra, ao assegurar que as medidas adotadas por Londres e outros Governos europeus, como a Espanha e a Itália, "sublinham a verdadeira consolidação orçamentária" que o Canadá quer promover na cúpula do Grupo dos Vinte (G20, principais países ricos e emergentes) no fim de semana em Toronto.

"Apreciamos as decisões difíceis e responsáveis tomadas a este respeito", disse Harper, que deve pedir aos países mais afetados pela crise que se comprometam a reduzir pela metade seus déficits em três anos.

Cameron disse a Harper que a medida era "o que era preciso ser feito" para enfrentar "os desequilíbrios".

Mas não são todos os líderes que pensam assim. O presidente americano, Barack Obama, enviou no sábado uma carta prévia à cúpula e a seus colegas do G20 na qual advertia do perigo de retirar os estímulos fiscais de maneira precipitada, o que poderia abortar a recuperação econômica.

No entanto, Harper enviou de forma paralela sua própria carta urgindo os países a reduzir o déficit.

Na carta Obama também pediu aos países exportadores, como a China, Alemanha e Japão, que tomem medidas para conseguir que seu crescimento seja sustentado mais na demanda interna, e menos na exterior.

Estes países, no entanto, não compartilham a opinião dos Estados Unidos, pois não veem necessidade de ajudar no crescimento mundial, e também dos EUA, aumentando suas importações, quando Washington está pedindo a seus próprios cidadãos que economizem mais, e gastem menos.

"O sucesso exportador da Alemanha reflete sua alta competitividade e o forte capacidade inovadora de nossas companhias. Reduzir artificialmente a competitividade da Alemanha não é útil para ninguém", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, em entrevista publicada recentemente no "Wall Street Journal".

Hoje Merkel voltou a insistir no tema, ao assegurar que tanto seu país como a União Europeia consideram que "chegou o momento" de reduzir os déficits.

Esta é a primeira vez que é realizado um G8 prévio a uma cúpula do G20, grupo integrado não só pelos países ricos, mas também por importantes nações em vias de desenvolvimento, entre elas o Brasil, México e Argentina.

Na cúpula, o Canadá incluiu pela primeira vez na história do grupo uma sessão na qual participarão três países do continente americano: Colômbia, Haiti e Jamaica. A ideia é conhecer em primeira mão os problemas que as organizações criminosas supõem aos países latino-americanos e caribenhos.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, que chegou ontem a Toronto, deve dirigir-se hoje ao G8 para falar dos avanços que seu país alcançou no combate ao terrorismo e ao narcotráfico e para pedir apoio dos Governos ocidentais para lutar contra as organizações criminosas.

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