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26/06/2010 - 22h40 / Atualizada 26/06/2010 - 22h49

Cúpula do G20 começa com consenso sobre necessidade de reduzir déficit

Teresa Bouza.

Toronto (Canadá), 26 jun (EFE).- A Cúpula do Grupo dos 20 (G20, países industrializados e principais emergentes) começou neste sábado em Toronto, Canadá, com consenso em torno da necessidade de reduzir os déficit e a dívida dos países nos próximos três anos para escorar a recuperação econômica, mas divergências no montante do corte.

O tema de quando e como retirar as medidas de estímulo econômico iniciadas para superar a crise se transformou no principal motivo de atrito no seio do G20, e foca aogra a guarda da economia global.

Em um lado do debate estão países como os Estados Unidos, que insistem - como deixou claro o secretário do Tesouro do país Timothy Geithner - em que o G20 deve se concentrar sobretudo no crescimento, uma postura compartilhada pelas potências emergentes como o Brasil.

No outro lado do espectro está a União Europeia (UE), com a Alemanha à frente, que mantém que o corte do gasto público é o objetivo prioritário.

Assim deixou claro hoje a chanceler alemã, Angela Merkel, que disse no final da reunião do G8, que terminou horas antes do começo do G20, que a economia global só alcançará um crescimento "durável e sustentável" se os países consolidarem suas finanças "e implementarem reformas estruturais ao mesmo tempo".

O ministro das Finanças, Guido Mantega, que representa o Governo na cúpula depois da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que teve que acompanhar o problema das inundações no Nordeste, alertou que a consolidação fiscal é importante.

Advertiu, de todo modo, que a incipiente e desigual recuperação econômica global pode ser "ameaçada pela pressa na retirada dos estímulos".

Apesar desse embate no tema que desponta como chave para que as economias voltem a pisar em solo firme, foram observadas em Toronto mostras de aproximação entre posturas que se confrontam.

A própria Merkel mencionou, nesse sentido, que há "consenso" na necessidade de reduzir a despesa e o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, que propôs recortar o déficit pela metade para o ano de 2013, qualificou esse consenso de "forte".

O presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, foi além ao se referir em entrevista coletiva à existência de um acordo preliminar para reduzir o déficit pela metade em 2013 como sugere Harper.

Mantega mencionou, no entanto, que um acordo nesse sentido está distante de estar fechado e qualificou inclusive de não realista uma proposta desse tipo.

"É muito draconiana, um pouco difícil, um pouco exagerada", disse em entrevista coletiva Mantega, lembrando que "há países que têm o déficit acima de 10%" e não será possível alcançarem o objetivo proposto.

À espera que os líderes do G20 limem as asperezas nessa frente entre hoje e amanhã, outro dos assuntos que desponta como polêmico é o da proposta para impor um imposto global aos bancos ou às transações financeiras.

EUA, Reino Unido, Alemanha e França lideram essa cruzada mas países emergentes como o Brasil deixaram claro que não estão de acordo.

"Nós não vamos estar de acordo com isso", afirmou Mantega, que defende que essa seja uma medida aplicada em nível individual pelos países que o desejarem.

Está previsto, quanto ao mais, que o G20 dê neste domingo um novo impulso à proposta para reforçar o capital dos bancos e melhorar a transparência do setor, medidas que segundo Mantega deveriam ser aprovadas na próxima reunião do grupo em novembro na Coreia do Sul.

Espera-se que o comunicado final a ser emitido neste domingo faça alusão também à necessidade de buscar alternativas para a Rodada de Doha e para dar fim às subvenções aos combustíveis fósseis.

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