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27/06/2010 - 06h07 / Atualizada 27/06/2010 - 06h14

Canadá transforma centro de imprensa do G20 em grande campanha de "marketing"

Teresa Bouza.

Toronto (Canadá), 27 jun (EFE).- Os jornalistas que cobrem a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, principais países ricos e emergentes) trabalham em um centro de imprensa com um lago artificial e uma "vista" para paisagens idílicas que são projetadas em um telão enquanto chefs famosos oferecem comida de graça para acompanhar.

As imagens mostram cenas da região de Muskoka, cerca de 200 quilômetros de Toronto, onde estavam reunidos desde sexta-feira os líderes do Grupo dos Oito (G8, países mais ricos e Rússia), em uma cúpula com acesso restringido à imprensa e que foi seguida pelo encontro do G20 que começou ontem em Toronto.

O lago e o pavilhão turístico que o rodeiam fazem parte de uma operação de "marketing" na qual o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, atirou a casa pela janela, para horror dos contribuintes que pagarão os quase US$ 2 milhões que o centro de imprensa custou.

Mas Harper não poupou recursos para conseguir que a imprensa internacional levasse, como explicou, uma "boa imagem" do país anfitrião.

A campanha, que inclui a transmissão das partidas da Copa do Mundo, parece ter dado resultado, a julgar pelas declarações dos jornalistas que se "inspiram" entre matéria e matéria nas cadeiras de descanso às "margens" do lago enquanto contemplam um pôr-do-sol virtual.

"É cômodo. É perigoso. Não quero trabalhar. Quero descansar", disse à Agência Efe Hiroo Watanabe, correspondente do periódico japonês Sankei Shimbun, sentado com as pernas para cima e um copo de vinho na mão.

Watanabe, que cobre cúpulas internacionais como a do G20 há dez anos, diz que esta é "a melhor" no que tange ao tratamento da imprensa pelo país anfitrião.

Ana Barón, correspondente do jornal argentino "Clarín" em Washington desde 1985 e que cobriu incontáveis reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), do G7, G8 e G20 também sucumbiu aos esforços propagandísticos do Canadá.

"Cobri todas as cúpulas que você pode imaginar e de todas este centro de imprensa é o mais impressionante, pela comida e pelas imagens da tela. Você se sente como se estivesse lá", afirmou Barón, para quem o ponto alto é o mini-cinema em 4D (quatro dimensões) com imagens turísticas da província de Ontário.

Os jornalistas canadenses, por sua vez, oferecem uma leitura diferente do assunto.

Jonathan Pearce, produtor do canal de televisão "CPAC" que transmite notícias e sessões parlamentares, diz que o desdobramento do centro de imprensa, que inclui comida e bebida de graça "todo" o dia, reflete o "complexo de inferioridade canadense".

"Somos muito inseguros como país sobre nosso lugar no mundo e tratamos de compensá-lo com exageros como este", afirmou Pearce, que acredita que estar tão perto da superpotência americana explica as inseguranças do Canadá.

Seu companheiro, John Vanbeek, afirma que não deixa de ser irônico que a imprensa canadense, que criticou Harper até não poder mais por gastar mais de US$ 1 bilhão nas duas cúpulas, agora se beneficie desses investimentos.

No entanto, Vanbeek disse se ver obrigado a reconhecer que a campanha é "está funcionando".

A operação de "marketing" em andamento inclui a presença de cozinheiros como Jamie Kennedy, um dos "chefs" mais famosos do Canadá, que preparou na tarde desta sexta-feira canapés de peixe para os milhares de jornalistas de todo o mundo que se encontram no Canadá.

"O objetivo é mostrar a todos vocês que temos uma gastronomia florescente", explicou à Efe Kennedy, que utiliza só produtos de agricultores e pescadores locais.

Aos cozinheiros soma-se a presença de artistas da região de Muskoka, como Nathalie Bertin, uma pintora que mistura motivos de seus antepassados indígenas e dos colonos franceses que chegaram há séculos na região de Ontário em seus quadros.

"Embora quisesse, não poderia pagar por toda a exposição que conquisto aqui", explicou Bertin, que comemora que o Canadá tenha encontrado, no centro de imprensa, "uma janela para o mundo".

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