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27/06/2010 - 14h11 / Atualizada 27/06/2010 - 14h53

Presidente dá por aprovada nova Constituição do Quirguistão


Em Duchambe

Os cidadãos do Quirguistão, uma ex-república soviética da Ásia Central que em menos de cinco anos derrubou dois presidentes, aprovaram hoje em plebiscito, segundo a presidente interina, Roza Otunbayeva, a passagem do regime presidencialista para o parlamentarista.

Otunbayeva confirmou a aprovação da nova Constituição, que torna o país a primeira república parlamentarista da Ásia Central. "Hoje é um dia histórico, aprovamos a nova Constituição", comemorou Otunbayeva, que no plebiscito de hoje também valida seu cargo de chefe provisória do Estado.

Apesar das declarações da presidente interina, os resultados oficiais da apuração só serão conhecidos dentro de três ou quatro dias. Os quirguises responderam hoje se aceitavam o projeto de Constituição proposto pelo governo provisório e aprovavam a candidatura da atual presidente interina do Quirguistão, Rosa Otunbayeva, ao cargo provisório de chefe de Estado.

Os 2.281 colégios eleitorais ficaram abertos até às 20h local (11h de Brasília) e, segundo dados preliminares, mais de 69% dos eleitores participaram do plebiscito. Para Akylbek Saríev, chefe da Comissão Eleitoral Central (CEC), a participação das pessoas foi muito boa.

A votação tem como cenário os graves distúrbios étnicos que começaram há duas semanas no sul do país e deixaram quase 300 mortos. Os mais de 75 mil refugiados que fugiram dos enfrentamentos e já retornaram ao país, assim como as quase 300 mil pessoas provisoriamente deslocadas de seus lares puderam votar nos colégios mais próximos ao local onde se encontram.

A população uzbeque, principal vítima dos recentes enfrentamentos, participou ativamente do plebiscito. "O povo vai às urnas com a esperança de evitar a repetição do ocorrido e de restabelecer o mais rápido possível a ordem legal", disseram porta-vozes dos refugiados uzbeques das regiões de Jalal-Abad e Osh, que constituem parte importante da população. Eles explicaram que há poucos dias muitos uzbeques étnicos não se propunham a participar do plebiscito. "Mas após pesar todos os pró e os contras, o povo decidiu ir às urnas", resumiram.

Para impedir possíveis incidentes, as comissões eleitorais se deslocaram com as urnas para os "majali", como são chamados os bairros uzbeques no Quirguistão. Otunbayeva foi ao sul do país para votar esta manhã a um colégio em Osh, cidade que foi um dos principais focos de violência e onde o toque de recolher foi levantado ontem.

"Queremos nos recuperar dos graves ferimentos sofridos nos últimos tempos. O povo tem fé em nós e faremos tudo para não decepcionar suas esperanças", declarou a presidente interina.

Tanto no sul do Quirguistão como na capital foram tomadas medidas especiais de segurança, a cargo de 8.000 policiais, 7.500 milicianos e 2.000 militares. Apesar da aparente calma, a situação continua tensa e Otunbayeva já anunciou que o toque de recolher será restabelecido e irá seguir até o dia 10 de agosto.

Por sua vez, os partidos de oposição questionaram a alta participação divulgada. "Duvido muito que os dados da CIC correspondam à realidade", declarou o líder do partido "Quirguistão Unido", Adaján Mamurádov.

Até a revolta popular que derrubou em abril o presidente Kurmanbek Bakíev, refugiado na Belarus, Mamurádov liderava o poderoso Conselho de Segurança. Bakíev também chegou ao poder como resultado de uma revolta em março de 2005, que obrigou o até então presidente Askar Akáiev a se exilar na Rússia.

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