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04/07/2010 - 02h17 / Atualizada 04/07/2010 - 02h52

AI pede investigação independente, 1 ano após distúrbios uigures na China

Pequim, 4 jul (EFE).- A organização Anistia Internacional (AI) pediu uma investigação independente sobre os distúrbios entre a etnia uigur e a chinesa que deixaram cerca de 200 mortos há um ano na região ocidental de Xinjiang, à luz de novos testemunhos que indicam repressão militar, detenções maciças e torturas.

Em comunicado, a AI assinala que, após ligar para diversas testemunhas, desconfiam do número oficial de 197 mortos e 1.700 feridos emitido pelo regime chinês após os conflitos letais do dia 5 de julho de 2009 em Urumqi, a capital regional.

Em seu relatório "Justiça, justiça: os protestos de 2009 em Xinjiang, China", a organização inclui o testemunho de uigures que deixaram a belicosa região após os distúrbios e que descrevem um uso desnecessário da força, detenções e desaparições maciças e torturas e maus tratos contra essa etnia detidos.

Um destes testemunhos é o de uma mulher uigur de 29 anos que assinala que membros dessa etnia iniciaram na tarde do dia 5 de julho um protesto pacífico depois do linchamento de vários uigures em feitorias de Cantão por chineses han.

"De repente chegaram cerca de 20 veículos militares. As forças de segurança tinham rifles automáticos e começaram a empurrar os manifestantes. Uma mulher começou a caminhar em direção a eles e um policial disparou contra ela. Ela morreu. Fiquei aterrorizada. Então começou todo o caos", assinala esta testemunha que está no exílio.

Outra testemunha, um homem de 22 anos, descreve o caos: "Às oito da noite um grupo de uigures passaram por nossa casa em direção sul, iam destroçando veículos e outras propriedades. Meia hora depois passou outro grupo de uigures. Estes corriam, e o Exército os perseguia. Os militares dispararam pelas costas, acho que três deles morreram".

Nos dias posteriores a 5 de julho e perante a presença da imprensa internacional, os militares adotaram uma atitude passiva quando os chineses começaram a linchar os uigures a plena luz do dia.

Diante destes novos testemunhos, a Anistia Internacional pede que instituições e observadores não vinculados ao Governo chinês realizem uma investigação.

"A apuração oficial (de mortos e feridos) deixa muitas perguntas sem resposta. Quanta gente morreu realmente? Quem os matou? E como e por que aconteceu?", assinalou Catherine Barber, subdiretora da AI para a Ásia Pacífico em comunicado.

As investigações da organização internacional coincidem com relatórios publicados por organizações de uigures no exílio no ano passado que assinalam que o número de mortos poderia ser de cerca de 800, já que o regime chinês só teria publicado o número de mortos de etnia chinesa han.

Testemunhas disseram à Agência Efe então que, com efeito, o número de corpos nas ruas de Urumqi após os distúrbios do ano passado era muito superior a 200 à simples vista.

Neste contexto, o regime chinês está aplicando uma dura campanha de segurança para evitar qualquer novo levante por causa do primeiro aniversário do massacre, nesta segunda-feira.

Entre estas medidas, se aplicam restrições de movimentos e de expressão entre a comunidade uigur.

Apesar de a China ter iniciado um pacote de desenvolvimento para promover a estabilidade social na região de Xinjiang, a AI exige que Pequim permita uma consulta internacional para este plano com o objetivo de garantir que a etnia autóctone, a uigur, de raça e língua turcomana e credo muçulmano, não seja discriminada.

Depois dos distúrbios, o Governo chinês, que anexou esta região de forma definitiva em 1949, deteve mil pessoas, uigures em sua maioria, e sentenciou 198 em decisões que, segundo a AI, descumprem os padrões internacionais de justiça.

Nove destes sentenciados foram executados e outros 26 detidos esperam no corredor da morte.

Desde os distúrbios, vários relatores da ONU como o da Tortura e o de Direitos das Minorias pediram ao Governo chinês, sem sucesso, para visitar a região uigur.

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