UOL Notícias Notícias
 
04/07/2010 - 14h53 / Atualizada 04/07/2010 - 15h00

Assad apoia Brasil e Turquia à frente de processo de paz no Oriente Médio

Buenos Aires, 4 jul (EFE).- O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse em entrevista publicada hoje pela imprensa argentina que o Governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é "frágil" para impulsionar a paz no Oriente Médio e aponta Brasil e Turquia como possíveis líderes desse processo.

"Quando não há resultados, se é frágil. A força reside em obter resultados, não em demonstrar força militar ou na economia. Nossa experiência com os EUA é que eles não são capazes de administrar um processo de paz do começo até o final", declarou Assad ao jornal "Clarín".

O presidente da Síria concluiu neste sábado sua primeira visita oficial à Argentina, última etapa de uma viagem latino-americana que o levou também a Venezuela, Cuba e Brasil.

Para Assad, "dentro da Administração americana existem diferentes correntes" e "não estamos vendo este Congresso respaldar Obama em nenhum dos assuntos que propôs", opinou.

Diante desta situação, ressaltou o papel do Brasil, já que "o acordo que assinou com o Irã - junto com a Turquia, para a troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear - indica que tem uma habilidade política e pode contribuir".

Após o encontro mantido com Assad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva renovou nesta semana sua oferta para mediar o conflito no Oriente Médio.

"É uma iniciativa muito importante que abriu o caminho para uma solução. E o fato de essa solução eventual sair de países como Brasil e Turquia quer dizer que o peso político de países da Europa ou dos Estados Unidos mudou. Acho que esta iniciativa brasileira e turca é o começo de uma relação de cooperação sul-sul", acrescentou o presidente sírio.

No entanto, Assad reconheceu que não é "otimista" quanto à possibilidade de que atual Governo israelense possa ser um parceiro para a paz.

"Também não me deixa otimista a população israelense eleger um Governo tão extremista", disse.

Assad declarou ter "esperanças de que alguém no Ocidente, na Europa, consiga gerar consciência para que o povo israelense compreenda que seu interesse e sua proteção somente podem vir por meio da paz e que, por isso, devem escolher um Governo que seja um parceiro real para a paz".

Assad, que hoje começa uma visita oficial à Espanha, contou que na Europa só viu o presidente da França, Nicolas Sarkozy, "com entusiasmo a favor do processo de paz".

Ao ser questionado sobre a política iraniana, Assad se defendeu ao assegurar que "em Israel os clérigos disseram que os árabes são serpentes que devem ser exterminadas. Há membros do Governo que pediram o bombardeio Irã com bombas nucleares. Por que vemos as declarações do Irã e não as de Israel também?", contestou.

Assad disse que não nega a existência do Holocausto judeu, mas que rejeita "falar desse Holocausto de forma abstrata sem mencionar os outros episódios do presente. Se não falarmos dos massacres que estão acontecendo hoje no Iraque e na Palestina, não temos direito a falar dos do passado".

Em maio, israelenses e palestinos iniciaram "conversas de proximidade", um processo de paz indireto sob mediação de Washington e por um período de quatro meses, a fim de que ambas as partes passem depois para as negociações diretas.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host