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04/07/2010 - 19h31 / Atualizada 04/07/2010 - 19h35

Mesmo com 7 mortes, México vive dia eleitoral relativamente calmo

Juan Ramón Peña.

México, 4 jul (EFE).- Diante da tensão causada pela expectativa de ataques do crime organizado, 14 estados mexicanos viveram neste domingo um dia eleitoral relativamente tranquilo apesar da morte de sete pessoas e da detenção de outras 39 por porte de artefatos incendiários.

Os trinta milhões de mexicanos convocados hoje às urnas, que estão abertas até as 18h locais (20h de Brasília) escolheram quase dois mil deputados e prefeitos. Em 12 dos estados onde houve eleições, os eleitores também votam para governador.

Quatro das sete mortes ocorreram na cidade de Chihuahua, no estado de mesmo nome (norte), em crimes com características comuns aos cometidos pelo crime organizado.

Os corpos de quatro homens, cujas identidades não foram divulgadas, foram pendurados de três das principais pontes da ciade.

Dias atrás, um e-mail assinado pela quadrilha 'La Linea', pertencente ao cartel de Juárez, ameaçava atacar quem fosse votar. Com isso, as mortes podem ter sido uma tentativa de assustar a população.

Este tipo de assassinato por parte do narcotráfico e sua exposição pública se tornou frequente nos últimos anos em todo o México, especialmente no norte.

O estado de Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos, é considerado como o mais perigoso do México. É lá que fica a violenta Ciudad Juárez, que estava deserta e escassamente vigiada pela Polícia nas primeiras horas de hoje.

Segundo o Instituto Estadual Eleitoral (IEE), pelo menos três candidatos a prefeitos em Chihuahua solicitaram proteção policial por terem recebido ameaças.

No estado de Tamaulipas, que também faz fronteira com os EUA e fica no litoral do Golfo do México, a vigilância do processo eleitoral foi feita por nove mil policiais estaduais e um número indeterminado de forças federais.

Tal esquema de segurança é consequência do assassinato de Rodolfo Torre Cantú, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), o favorito nas pesquisas de intenção de voto para governador em Tamaulipas, estado que é usado como base pelos cartéis Los Zetas e do Golfo.

Torre Cantú foi morto na segunda-feira e foi substituído na disputa eleitoral por seu irmão Egídio, que votou hoje acompanhado pela viúva de seu irmão e em meio a um grande esquema de segurança.

"Viemos votar, vamos votar", disse Egídio Torre Cantú em breves declarações à imprensa antes de deixar o local de votação.

O governador de Tamaulipas, Eugenio Hernández (PRI), disse à imprensa, que o dia transcorreu "com a maior normalidade, não temos nenhum incidente reportado" Segundo Hernández, todas as zonas eleitorais estavam em funcionamento e o comparecimento dos eleitores vinha sendo alto.

No estado de Chiapas, no sul do México, um líder indígena ligado ao Partido da Revolução Democrática (PRD) foi assassinado quando voltava para casa depois de ajudar nos preparativos da legenda para a eleição.

Aparentemente, uma fatia considerável dos locais de votação em Chiapas não funcionou devido ao desinteresse popular pela eleição, que não inclui no estado a disputa para governador.

No estado de Oaxaca (sul), onde eram esperados conflitos de fundo político, 39 pessoas foram detidas com artefatos incendiários.

Interceptados em dois hotéis da cidade de Oaxaca, a capital do estado, os detidos disseram fazer parte de um esquema de roubo de urnas montado pela aliança opositora que conta com esquerdistas e direitistas - a esquerda desmentiu as acusações.

A três horas da abertura das urnas, às 8h locais (10h de Brasília), 70% das zonas eleitorais em Oaxaca não estavam preparadas para receber eleitores.

As autoridades eleitorais asseguraram depois que, no final, 98% delas estavam instaladas.

Também houve eleições hoje nos estados de Aguascalientes, Veracruz, Tlaxcala, Puebla, Durango, Hidalgo, Quintana Roo, Sinaloa, Zacatecas e Baixa Califórnia.

Em Hidalgo, na região central, dois comandantes policiais foram assassinados por supostos membros do crime organizado, mas a procuradoria estadual disse que os assassinatos não tiveram relação com as eleições.

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