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04/07/2010 - 12h07 / Atualizada 04/07/2010 - 12h35

Morre máxima autoridade religiosa xiita no Líbano

Beirute, 4 jul (EFE).- A máxima autoridade religiosa xiita do Líbano, Mohammed Hussein Fadlallah, morreu hoje aos 75 anos no hospital de Beirute depois de ser internado na sexta-feira devido a uma hemorragia, informou a agência estatal de notícias "ANN".

Fadlallah, que levava o título honorífico de "sayyed" (descendente direto do profeta Maomé), morreu no hospital Bahman, no sul de Beirute.

Os seguidores do sábio e diversas autoridades apresentam suas condolências pelo falecimento. Fadlallah, que sofria de diabetes, tinha sido internado em outras ocasiões.

Em comunicado, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, afirmou que com a morte de Fadlallah, "o Líbano perde uma eminente autoridade nacional e espiritual que contribuiu para consolidar os valores do direito e da justiça".

Hariri destacou que o xeque era "a voz da moderação e defensor da unidade dos libaneses e, especialmente, dos muçulmanos, já que rejeitava as discórdias e publicava 'fátuas' (éditos islâmicos) para proibi-las".

"Sempre fez prevalecer o diálogo e a razão na solução dos temas conflituosos", indicou o chefe de Governo libanês.

O líder máximo do Hisbolá, xeque Hassan Nasrallah, descreveu Fadlallah em comunicado como um "pai" e "grande apoio às gerações de fiéis e de mujahedins (guerreiros santos)".

"Ensinou-nos a sabedoria, o diálogo, a rejeição da injustiça, a resistência à ocupação e a preservação diante das dificuldades", acrescentou Nasrallah que o considerou como um professor que lhes iluminou nas dificuldades.

Fadlallah nasceu em 1935 na cidade santa xiita iraquiana de Najaf, onde estudou Ciências Islâmicas, antes de transferir-se em 1966 para o Líbano, onde fundou o instituto islâmico da Sharia (lei islâmica).

O clérigo, incluído pelos EUA na lista de personalidades terroristas, foi considerado durante a guerra civil libanesa (1975-1990) o guia espiritual do movimento xiita Hisbolá, o que ele sempre negou.

Considerado partidário da revolução islâmica no Irã e da luta contra Israel, Fadlallah defendia no princípio a instauração de um regime islâmico no Líbano, mas acreditava que não era possível implantá-lo sem o apoio popular.

Sua influência era grande não só no Líbano, mas também em outros países da região, especialmente no Iraque, onde foi um dos fundadores do partido Dawa, ao que pertence o primeiro-ministro iraquiano saliente, Nouri al-Maliki.

Nos últimos anos, o religioso era considerado um liberal, já que emitiu várias fátuas a favor da mulher e proibiu em 2005 ataques suicidas, após um atentado perpetrado na localidade turística egípcia de Sharm el-Sheikh.

Fadlallah será enterrado na próxima terça-feira em Beirute.

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