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05/07/2010 - 15h57 / Atualizada 05/07/2010 - 16h15

Moratinos volta a Cuba para acompanhar diálogo sobre presos políticos

Havana, 5 jul (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, volta hoje a Cuba, em sua terceira visita à ilha, desta vez para "acompanhar" o diálogo entre o Governo de Raúl Castro e a Igreja sobre os presos políticos, com o objetivo de "obter resultados".

Com sua nova viagem a Havana - a segunda em menos de um ano - Moratinos se propõe a apoiar o inédito processo aberto entre o regime cubano e a hierarquia católica da ilha, explicou hoje o próprio ministro, em Madri, horas antes de partir para Cuba.

Por enquanto, os principais frutos do diálogo - confirmado oficialmente no dia 19 de maio com uma reunião entre o presidente Raúl e as autoridades católicas cubanas - foram a libertação do preso gravemente doente Ariel Sigler e a transferência de outros 12 a penitenciárias em suas províncias de origem.

Moratinos chega à ilha pouco depois do fim do mandato da Espanha na Presidência de turno da União Europeia (UE), que, no relativo a Cuba, concluiu com a decisão de adiar a revisão da chamada 'posição comum' até setembro, para dar margem a possíveis avanços nas gestões da Igreja.

O Conselho de Ministros de Exteriores da UE encarregou Moratinos da tarefa de acompanhar o processo de diálogo.

Fontes diplomáticas europeias em Havana qualificaram hoje de "totalmente oportuna e positiva" a visita do chefe da diplomacia espanhola.

Em declarações à Agência Efe, elas ressaltaram que o objetivo é dar apoio, acompanhamento e visibilidade ao diálogo, mas sem interferir em uma negociação que, segundo a Igreja, é realizada entre instituições cubanas.

A dissidência interna avalia a visita de Moratinos positivamente, mas muitos opositores são céticos sobre seus resultados e a vontade do regime cubano de libertar os presos políticos.

Moratinos chegará a Havana na tarde hoje e permanecerá até a próxima quarta-feira na ilha, onde se reunirá com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, e o arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, principal interlocutor nas conversas com o Governo.

Se for repetido o esquema de suas duas visitas anteriores, ele também se reunirá com o presidente cubano, o que ainda não foi confirmado.

O chefe da diplomacia espanhola não prevê encontros com a dissidência interna cubana, assim como aconteceu nas viagens anteriores.

Sua chegada a Cuba acontece em um momento de preocupação devido ao agravamento do estado de saúde do dissidente Guillermo Fariñas, em greve de fome há mais de quatro meses, para exigir a libertação dos presos políticos mais doentes.

A imprensa oficial cubana divulgou neste fim de semana uma entrevista sobre o crítico estado de saúde de Fariñas, que informa sobre os avançados tratamentos médicos que está recebendo e os esforços por salvar sua vida, mas não menciona os motivos de seu protesto.

A informação foi interpretada por dissidentes e familiares de Fariñas como uma "cortina de fumaça" e uma tentativa de "evadir responsabilidades" caso o opositor morra.

Nesta segunda-feira, a saúde do psicólogo e jornalista independente segue em estado grave, mas ele experimentou uma ligeira melhora desde que foi diagnosticada uma trombose na jugular, que coloca sua vida em perigo, disseram à Efe fontes ligadas ao dissidente.

Sobre o caso, Moratinos disse hoje que "o melhor para todos é que ele abandone sua greve de fome". Também lembrou que, desde o primeiro dia de seu protesto, o Governo da Espanha fez propostas para que ele desistisse de sua greve de fome.

A poucas horas da chegada do ministro espanhol à ilha, a opositora Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) informou que há 167 presos políticos em Cuba, 34 a menos que o registrado no final de 2009.

Na maior parte dos casos, a queda se deve a libertações depois do cumprimento das penas, disse à Efe Elizardo Sánchez, porta-voz da CCDHRN.

Em seu relatório semestral sobre os direitos humanos, a CCDHRN percebeu uma "certa mudança nas formas de repressão política" do regime castrista, que teria optado por uma estratégia de "baixa intensidade", por meio de "detenções arbitrárias de curta duração e outras formas de fustigação".

Entre janeiro e junho de 2010, foram registradas mais de 800 detenções deste tipo, segundo a comissão.

No entanto, a CCDHRN assegura que o Governo cubano continua violando de forma sistemática os direitos humanos no país, uma situação que, em sua opinião, persistirá "enquanto seguir prevalecendo a forma totalitária de Estado".

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