UOL Notícias Notícias
 
05/07/2010 - 16h43 / Atualizada 05/07/2010 - 16h47

PRI mantém presença no México, mas perde bastiões de 80 anos

Juan David Leal.

México, 5 jul (EFE).- O Partido Revolucionário Institucional (PRI) manteve o domínio sobre o mesmo número de estados mexicanos que tinha antes do pleito de domingo, mas agora governa em regiões com menor população, após perder três bastiões nos quais seu poder se estendia ininterrupto há 80 anos.

Ao término das eleições regionais de domingo, nas quais se disputaram os Governos em 12 dos 32 estados mexicanos, os resultados preliminares mostram que o PRI terminará no poder nos mesmos 19 estados que tinha antes.

De acordo com os dados preliminares, dos 12 cargos de governador disputados neste pleito - que foram vistos como um teste para saber o que acontecerá nas presidenciais de 2012 -, o PRI somou nove, após tirar três de seus oponentes, perder três e conservar seis.

No entanto, os estados arrebatados pelo PRI, Tlaxcala (1 milhão de habitantes), Aguascalientes (1,1 milhão) e Zacatecas (1,3 milhão), são regiões com povoações pequenas, com relação a Oaxaca (3,5 milhões), Puebla (5,4 milhões) e Sinaloa (2,6 milhões).

A aliança do governista e conservador Partido Ação Nacional (PAN) e o esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), que em nível federal são inimigos, rendeu frutos para expropriar esses redutos nos quais o PRI acumulava oito décadas sem alternância política.

O pacto eleitoral do PRD, partido que tem alguns setores que se negam inclusive a reconhecer a legitimidade do líder mexicano Felipe Calderón, e o governista PAN, foi criticado por analistas, que consideram a aliança uma renúncia de princípios que só buscava frear o PRI, força que governou no México sem pausa entre 1929 e 2000.

Os resultados da eleição são ainda preliminares, já que no México existe um lento sistema denominado Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (Prep), que demora mais de um dia para dar os resultados.

Por enquanto, o Prep avança em mais de 92% nas 12 regiões em disputa e só alcançou 100% no estado de Quintana Roo.

O jornal "Milênio" calcula hoje que o PRI, primeira força na Câmara dos Deputados e segunda no Senado, governava 28,3 milhões de mexicanos antes do pleito, e agora deixará de fazê-lo sobre 11 milhões de pessoas.

Em Oaxaca e Puebla, particularmente, os manejos violentos dos governadores Ulises Ruiz e Mario Marín, respectivamente, contribuíram amplamente para a derrota do PRI.

Ruiz é duramente criticado por amplos setores sociais e encarou em 2006 um longo protesto de professores e de organizações sindicais, estudantis e camponesas de esquerda, que gerou distúrbios e enfrentamentos com seguidores do governador.

Em seis meses, morreram cerca de 20 pessoas, cujos homicídios seguem impunes, centenas foram feridas e detidas, e Oaxaca sofreu uma grave crise econômica devido à queda do turismo e danos ao comércio.

Marín, por outro lado, foi alvo de uma polêmica quando a jornalista mexicana Lydia Cacho divulgou em um livro de sua autoria uma rede de pedofilia no sudeste do México, a qual vinculou a um empresário de origem libanesa que é amigo próximo do governador de Puebla.

Após a publicação do livro, a jornalista foi presa em dezembro de 2005 em Quintana Roo por policiais de Puebla, que a conduziram encapuzada a esse estado do centro do México.

Depois disso, foram reveladas conversas telefônicas entre Marín e o amigo libanês, na qual os dois manifestavam a intenção de trancar a jornalista em Puebla, o que causou revoada no país, mas depois Marín foi exonerado pela Suprema Corte.

De acordo com o avanço atual do Prep, o PRI ganhou nos estados de Chihuahua, Hidalgo, Durango, Quintana Roo, Tamaulipas e Veracruz, que já governava.

Entre as regiões nas quais o PRI conservou o poder, destaca-se Chihuahua, o estado mais violento do México, e Tamaulipas, imerso em uma onda de violência, onde foi assassinado na semana passada o aspirante a governador Rodolfo Torre Cantú, cujo irmão tomou a candidatura.

Por sua parte, a aliança PAN-PRD se impôs em Oaxaca, Puebla e Sinaloa e fracassou em Durango e Hidalgo.

Estas duas forças também fracassaram nos estados nos quais não se aliaram (Aguascalientes, Chihuahua, Quintana Roo, Tamaulipas, Tlaxcala e Veracruz).

Tanto o PRI como a coalizão PAN-PRD consideraram hoje que a eleição é um claro triunfo para ambos, ao contrário do pleito legislativo de 2009, em que o PRI foi o claro vencedor.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h16

    -0,05
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h23

    1,12
    65.403,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host