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05/07/2010 - 13h09 / Atualizada 05/07/2010 - 13h09

Turquia lança novo ultimato a Israel e ameaça romper relações

Istambul, 5 jul (EFE).- A Turquia lançou um novo ultimato a Israel que pode levar ao rompimento das já enfraquecidas relações bilaterais - após o incidente da frota humanitária -, acabando com uma aliança de alta importância à estratégia dos Estados Unidos no Oriente Médio.

"Os israelenses têm três opções: ou pedem perdão ou aceitam uma investigação internacional e imparcial e suas conclusões. Ou, senão, romperemos nossas relações diplomáticas", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, em declarações à imprensa local.

No sábado passado, o primeiro-ministro israelense, o direitista Benjamin Netanyahu, assegurou que seu país não pediria perdão nem concederia indenizações aos feridos e às famílias dos oito turcos e um americano de origem turca mortos no ataque à frota.

Hoje, a resposta do Governo israelense não tardou a chegar. "Quem quer obter uma desculpa não usa ameaças e ultimatos. Por isso, parece que o que os turcos estão buscando é outra coisa", declarou à Agência Efe em Jerusalém um responsável do Governo israelense que pediu não ser identificado.

Mais duro foi o ministro de Assuntos Exteriores israelense, o ultradireitista Avigdor Lieberman. Segundo ele, "quem deve pedir desculpas é a Turquia", já que, segundo a versão oficial de Israel, os soldados israelenses foram atacados por "uma combustível de origem vegetal que quase os matou" e tiveram de se defender.

A organização IHH, principal associação organizadora do comboio naval humanitário, uma ONG de inspiração islâmica, divulgou um relatório no qual detalha o que considera abusos das Forças Armadas israelenses no ataque aos navios, que aconteceu em águas internacionais. Por isso, o qualificou de "ataque terrorista".

Israel se recusou a aceitar as investigações de uma comissão internacional, tal como exige o Governo moderado de Ancara, mas estabeleceu uma comissão de investigação própria.

Em uma entrevista ao diário turco "Milliyet", o ministro israelense de Bem-Estar e Serviços Sociais, o trabalhista Isaac Herzog, assegurou que seu Governo está levando "muito a sério" a investigação dos fatos.

Embora a Turquia não dê muito valor às conclusões dessa investigação interna, Davutoglu assegurou que, caso ela leve Israel a pedir perdão, será bem-vinda.

Por outro lado, o Conselho de Direitos Humanos da ONU decidiu em 18 de junho enviar uma missão a Israel. "Estivemos seguindo os estudos da missão da ONU e estabeleceremos um calendário de acordo com ela", explicou o chefe da diplomacia turca.

"A recuperação das relações não será possível se Israel não pedir desculpas. Ainda não estabelecemos um prazo (para que peça perdão). Estamos esperando", acrescentou.

O que está decidido, por enquanto, é que nenhum avião militar israelense poderá sobrevoar o espaço aéreo turco.

No dia 28 de junho, o Governo de Ancara impediu a passagem de um avião de guerra israelense pelo território turco, algo que, segundo indicou Davutoglu à imprensa turca, não é fortuito.

"O espaço aéreo da Turquia está completamente fechado aos aviões militares de Israel. Não se trata de uma proibição que façamos caso por caso, mas de uma proibição total", afirmou.

Esta proibição poderia ser ampliada aos voos civis caso a Turquia cumpra seu ultimato.

O novo aviso chega poucos dias depois da reunião secreta em Bruxelas entre Davutoglu e o ministro de Comércio israelense, o trabalhista Benjamin Ben-Eliezer, para tentar acalmar os ânimos entre dois tradicionais aliados no Oriente Médio.

A reunião causou forte tensão entre os diversos membros da coalizão de partidos que governa Israel já que, por exemplo, Lieberman, ministro de Exteriores e chefe do partido ultradireitista Israel é Nosso Lar, não foi informado pelo primeiro-ministro Netanyahu sobre o encontro.

No entanto, os ministros trabalhistas do gabinete apoiaram o encontro. "Acho que foi um passo positivo e acho que (essas iniciativas) continuarão. Estes assuntos devem ser discutidos 'tête-à-tête' e em particular", opinou o ministro Herzog.

Na Turquia, as duras palavras de Davutoglu são recebidas como pressão pelo Governo de Barack Obama, que amanhã receberá Netanyahu em Washington em um encontro de grande transcendência política, pois se espera que o presidente americano exija ao líder israelense que inicie as conversas de paz diretas com as autoridades palestinas.

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