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07/07/2010 - 12h55 / Atualizada 07/07/2010 - 12h57

Noriega é condenado a 7 anos por lavagem de dinheiro do tráfico

Paris, 7 jul (EFE).- O ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega foi condenado hoje pela justiça francesa a sete anos de prisão por lavagem na França de 2,3 milhões de euros procedentes do narcotráfico.

Noriega ficou contrariado com a sentença, que considera política, e que o impede de voltar ao seu país por enquanto.

O Tribunal Correcional de Paris considerou que foi provado que Noriega lavou na França, entre dezembro de 1988 e sua derrocada com a invasão americana do Panamá, em dezembro de 1989, 2,3 milhões de euros que tinha recebido por ter ajudado o Cartel de Medellín a transportar cocaína da Colômbia para os Estados Unidos.

A pena ditada hoje é inferior aos dez anos da condenação anterior que ocorreu sem a presença do réu, em 1999, cujo julgamento foi repetido agora, após a extradição para França no dia 27 de abril. O antigo homem forte do Panamá foi extraditado à França dos Estados Unidos, onde tinha passado 20 anos atrás das grades.

Foi mantido o confisco dos 2,3 milhões de euros e o Tribunal Correcional também impôs a Noriega uma indenização de 1 milhão de euros para o Estado panamenho pela reparação material e, sobretudo, da imagem do país, que em 1999 tinha se conformado com um franco simbólico.

O Panamá, que tinha pedido 27 milhões de euros, terá dificuldade para cobrar esse dinheiro já que, como disse o advogado de Noriega, Yves Leberquier, seu cliente não tem nenhum outro bem em seu nome na França.

O cônsul panamenho em Paris, Arístides Gómez de León, se mostrou confiante na obtenção da indenização e nos 10 milhões euros de despesas judiciais, ao mesmo tempo em que anunciou que seu Governo "vai avaliar" a sentença para decidir um eventual recurso, que deveria ser apresentado em um prazo de dez dias.

León lembrou que Noriega tem quatro penas pendentes para serem cumpridas no Panamá, que já pediu à França sua extradição por uma delas, embora as autoridades francesas ainda não tenham notificado o ex-ditador.

Um feito que, para o advogado de Noriega, Olivier Metzner, mostra o caráter "político" desta sentença, com a qual "se tenta fazer com que o general Noriega volte o mais tarde possível ao Panamá".

Metzner afirmou que seu cliente "não entende em absoluto" a sentença porque "achava que a França era um país onde a justiça estava acima da política, sobre certos interesses internacionais. Agora constatou que não".

O advogado insistiu que seu cliente queria "voltar ao Panamá amanhã mesmo", que aceitaria imediatamente a extradição. Metzner também quer, na eventualidade de um recurso, obter em poucos meses um "redimensionamento de pena" que lhe permitisse obter rapidamente a liberdade.

A esse respeito, Noriega, de 76 anos, já cumpriu 32 meses de detenção na França e a justiça francesa pode reduzir o tempo efetivo na prisão à metade caso sejam cumpridas algumas condições como bom comportamento e ausência de risco de reincidência.

León disse que não poder dar sua opinião sobre as denúncias dos defensores de Noriega pela resistência das autoridades francesas a extraditá-lo ao Panamá.

O cônsul se limitou a lembrar que quando seu país tinha solicitado que lhe entregassem o ex-ditador para que respondesse perante a justiça panamenha, a resposta do Ministério de Exteriores francês foi que primeiro ele tinha que saldar suas dívidas com a França e que para ser enviado ao Panamá deveria obter o sinal verde dos Estados Unidos.

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