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08/07/2010 - 18h24 / Atualizada 08/07/2010 - 18h24

Fariñas abandona greve de fome e 5 libertações são confirmadas

Havana, 8 jul (EFE).- O dissidente cubano Guillermo Fariñas abandonou hoje a greve de fome que começou há mais de quatro meses perante o compromisso do Governo de Raúl Castro de libertar 52 presos políticos, cinco dos quais serão libertados de forma iminente e viajarão à Espanha nos próximos dias.

Após um jejum que hoje completou 134 dias, Fariñas decidiu adiar seu protesto em meio ao prazo dado - três ou quatro meses - para a libertação gradual de todos os detidos que ficavam na prisão do 'Grupo dos 75', que foram condenados após a onda repressiva da "Primavera Negra" de 2003.

O psicólogo e jornalista independente de 48 anos anunciou o abandono de seu jejum em comunicado assinado perante uma comissão de membros de organizações dissidentes, que lhe visitou nesta quinta-feira no hospital da cidade de Santa Clara, onde estava internado desde 12 de março.

Guillermo Fariñas começou sua greve de fome após a morte do preso político Orlando Zapata, no mês de fevereiro, para exigir a liberdade dos opositores presos que estão doentes.

Fariñas depõe seu protesto em estado crítico, já que sua saúde se agravou nos últimos dias.

Sua decisão coincidiu com o anúncio dos nomes dos primeiros cinco presos a ficar em liberdade: Antonio Villarreal Acosta, Lester González Pentón, Luis Milán Fernández, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco Ávila, segundo a Igreja Católica cubana.

Em comunicado, o Arcebispado de Havana assinala que estes opositores "poderão sair rumo à Espanha nos próximos dias".

De acordo com fontes da dissidência, o próprio cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, se pôs em contato telefônico com estes presos para comunicá-los da libertação.

Além disso, o Governo de Raúl Castro comunicou hoje à Igreja que outros seis presos políticos serão transferidos a centros penitenciários de suas províncias de origem.

Estas ações são fruto do processo de diálogo da Igreja Católica da ilha com o Governo de Raúl Castro aberto no mês passado de maio.

As gestões da hierarquia católica da ilha contaram com o apoio e "acompanhamento" do Governo espanhol, cujo ministro de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, culminou ontem uma visita a Cuba com o anúncio destas libertações.

O chanceler espanhol anunciou na quarta-feira que os 52 presos poderão viajar à Espanha "se assim o desejarem" acompanhados de suas famílias.

Um dos aspectos destas libertações que não ficou plenamente claro é se estes opositores terão que abandonar Cuba de forma obrigada.

De fato, alguns membros da dissidência interna da ilha e organizações criticaram que se condicione a liberdade ao "expatrio".

O anúncio da libertação destes 52 presos políticos em Cuba continuou hoje suscitando reações internacionais, entre elas a da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que a vê "tardia", mas "positiva".

Tanto Hillary como a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, cumprimentaram Moratinos pelas gestões para facilitar essas libertações.

Catherine disse confiar, além disso, que o processo de diálogo conduzirá a "uma solução permanente" na ilha.

A França também comemorou o anúncio por ser "um gesto muito significativo" das autoridades cubanas e porque as libertações vão "no sentido das expectativas francesas e europeias".

Por sua parte, a Anistia Internacional (AI) pediu ao Governo cubano que ponha em liberdade todos esses reclusos imediatamente em vez de fazê-lo gradualmente.

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