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09/07/2010 - 11h18 / Atualizada 09/07/2010 - 11h31

Conflitos de terra causaram 60 mortes de índios em 2009 no Brasil

Brasília, 9 jul (EFE).- Os conflitos de posse de terra foram a causa da maior parte das 60 mortes violentas de índios ocorridas no Brasil durante o ano passado, denunciou hoje uma ONG vinculada à Igreja Católica.

Segundo relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 54% das mortes violentas de índios em 2009 ocorreu no Mato Grosso do Sul e em consequência de "conflitos com o agronegócio, o latifúndio e os povos indígenas".

Na região de fronteira com a Bolívia e o Paraguai se transformou em um importante polo de desenvolvimento agropecuário e é ocupada, há séculos, por índios das etnias Guarani e Xavante, entre outras que foram deslocadas pelo avanço da indústria, denunciou o Cimi.

"Os guarani kaiowá constituem hoje a maior etnia do país e são também os que sofrem com maior intensidade os efeitos de um modelo de ocupação e exploração de terras pela agricultura", diz o relatório.

O Cimi afirma que, outros 41 índios morreram em 2009 pela "omissão do poder público" e os "deficientes" sistemas de saúde que deveriam "garantir" a atenção aos povos indígenas.

Pelo relatório, em muitas reservas indígenas faltam "meios de transporte para o trabalho das equipes de saúde pública, faltam colchões, remédios e materiais básicos".

Como consequência disso, o Cimi afirma que pelo menos sete crianças indígenas morreram no ano passado por problemas associados à desnutrição.

Além disso, denuncia a "perseguição e violência" por parte do Estado contra indígenas que resistiram a deixar as terras por conflitos com fazendeiros ou com organismos oficiais encarregados de projetos de desenvolvimento na Amazônia.

Sobre isso, cita o caso da represa hidroelétrica de Belo Monte, um gigante de concreto que o Governo construirá no sul do estado do Pará (norte).

O projeto custará US$ 10,6 bilhões, gerará em média 4.571 megawatts por hora e alcançará um teto de 11.233 megawatts nos períodos de cheia do rio Xingu, um dos principais afluentes do Amazonas.

Sua construção deve inundar 500 quilômetros quadrados de floresta amazônica, o que representará deslocar cerca de 50 mil índios e camponeses do município de Altamira.

A represa gerou duras críticas entre grupos ambientalistas, índios, camponeses e até recebeu apoio de celebridades de Hollywood, como o cineasta canadense James Cameron, diretor de "Avatar", que em abril protestou em Brasília contra o projeto.

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