UOL Notícias Notícias
 
09/07/2010 - 15h40 / Atualizada 09/07/2010 - 15h53

Troca de espiões demonstra avanço nas relações entre Rússia e EUA

Sergio Imbert.

Moscou, 9 jul (EFE).- A Rússia realizou hoje a maior troca de espiões com os Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria, uma clara demonstração do avanço das relações entre Moscou e Washington.

Depois de dias de intensas conversas diplomáticas, os Estados Unidos (EUA) entregaram à Rússia dez russos detidos por espionar para Moscou, que, por sua vez, libertou quatro cidadãos russos que cumpriam pena por trabalhar para os serviços secretos norte-americanos.

O aeroporto de Schwechat de Viena foi o palco da troca, onde aterrissou um Boeing-767, dos EUA, e um Yak-42 enviado pelo Ministério de Situações de Emergência russo.

"Segundo testemunhos, a troca (de agentes) ocorreu em frente a um microônibus preto", informou a agência austríaca "APA".

Uma vez realizada a troca, o Yak-42 partiu em direção a Moscou, onde aterrissou às 17h50 no horário local (10h50 de Brasília) no aeroporto de Domodedovo.

A nave que partiu de Viena com os russos libertados por Moscou aterrissou, por sua vez, na base aérea britânica de Brize Norton, condado de Oxfordshire, que, como tinha reconhecido Londres, recebe em algumas ocasiões aviões da CIA (agência de inteligência americana).

Os dez russos detidos nos EUA há duas semanas acertaram na véspera um acordo com a justiça, reconhecendo a culpa nas atividades ilegais, embora não pela espionagem, em troca de sua deportação à Rússia.

Do outro lado, a Rússia libertou da prisão os três ex-oficiais de seus serviços secretos e um cientista que o presidente russo, Dmitri Medvedev, indultou na véspera para permitir a operação.

A Chancelaria russa declarou que o acordo de troca com os EUA, o maior entre os dois países desde 1985, quando mais de 20 espiões foram trocados em Berlim, foi possível graças ao atual momento das relações bilaterais.

A troca de agentes ocorreu em meio "ao contexto de avanço das relações russo-americanas, a fim de dar novo dinamismo ao espírito dos acordos de mais alto nível entre Moscou e Washington sobre o caráter estratégico da cooperação bilateral", assinalou o Ministério.

Acrescentou que a troca foi estipulada pelo serviço de espionagem russo (SVR, na sigla em inglês) e a CIA com o sinal verde do Kremlin e a Casa Branca, partindo de "considerações humanitárias e os princípios de cooperação construtiva".

Segundo os analistas, tanto Moscou quanto Washington queriam encerrar o mais rápido possível o embaraçoso caso de espionagem, que escurecia as relações e poderia abalar a ratificação nos EUA do novo tratado de desarmamento nuclear.

"O acordo de troca demonstra que o nível de entendimento entre Rússia e os EUA melhorou significativamente com a chegada do presidente Barack Obama", disse à agência "Interfax" o deputado Nikolay Kovalev, ex-chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB, antiga KGB).

Outras vozes criticaram o Kremlin pela troca de cidadãos russos por cidadãos russos, e não por espiões norte-americanos detidos, assim como a pouca eficácia do serviço de espionagem.

"Foi o golpe mais duro a nossa espionagem no último meio século", disse o presidente do comitê de Segurança do Parlamento, Gennady Gudkov, coronel do FSB na reserva.

A imprensa destaca que só três deportados dos EUA estavam registrados nesse país com seu verdadeiro sobrenome: a peruana Vicky Pelaez, colunista do jornal nova-iorquino em espanhol El Diario La Prensa, Mikhail Semenko e Anna Chapman, embora esta usasse o sobrenome de seu ex-marido britânico.

Os demais são o casal Vladimir e Lydia Guryev ("Richard e Cynthia Murphy"), Mikhail Kutsik ("Michael Zottoli"), Natalia Pereverzeva ("Patricia Mills"), Andrey Bezrukov ("Donald Howard Heathfield"), Elena Vavilova ("Tracey Lee Ann Foley").

O último é Mikhail Vasenkov ("Juan Lazaro"), marido de Pelaez, enquanto outro suposto espião, "Chris Metsos", conseguiu fugir após ser detido no Chipre e colocado em liberdade após o pagamento de fiança.

O "espião" mais importante libertado pela Rússia é o ex-agente do SVR Aleksandr Zaporozhsky, condenado em 2003 a 18 anos por trabalhar para Washington e ao que a imprensa mencionava como possível autor da detenção nos EUA de Aldrich Ames e Robert Hanssen, altos cargos da CIA e do FBI (polícia federal americana) recrutados nos tempos da URSS.

Outros dois são Sergei Skripal, ex-coronel da espionagem militar preso em 2006 por 13 anos por trabalhar para o Reino Unido, e Gennady Vasilenko, ex-agente da KGB condenado por posse ilegal de armas, e não por espionagem, embora vinculado com o caso Hanssen.

A figura mais polêmica é o cientista Igor Sutyagin, que cumpria pena de 15 anos por espionar para os EUA, ao que Anistia Internacional considera um "preso político" e que só assumiu a culpa nesta semana para ser beneficiado na troca.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host