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11/07/2010 - 13h58 / Atualizada 11/07/2010 - 14h03

Perda da maioria no Senado complica planos do Governo japonês

Maribel Izcue.

Tóquio, 11 jul (EFE).- O governante Partido Democrático (PD) do Japão sofreu hoje uma dura derrota nas urnas ao perder a maioria no Senado e ver seu principal rival, o Partido Liberal Democrático (PLD), ressurgir apenas dez meses depois de deixar o poder.

O pleito para renovar a metade da câmara alta (121 cadeiras) deu o maior número de senadores ao PLD, que governou o Japão por mais de meio século até que, em agosto, o PD pusesse fim a sua hegemonia com uma vitória histórica.

As eleições de hoje, as primeiras desde as gerais de agosto, era considerada um termômetro sobre o apoio ao primeiro-ministro Naoto Kan e sua capacidade de construir um Governo estável e duradouro, tarefa que agora se viu complicada.

À espera de que o Ministério do Interior divulgue os resultados oficiais - o que deve acontecer nesta segunda - as estimativas da televisão pública "NHK" apontam que o PD não conseguiu sequer 50 cadeiras.

Até agora, a legenda no poder contava com 54 senadores que, somados aos dois do aliado Novo Partido do Povo (NPP), lhe davam a maioria.

Agora, além da derrota eleitoral do PD, é preciso contabilizar que o NPP não conseguiu manter as duas cadeiras que tinha antes.

Apesar do desastre nas urnas, Kan descartou renunciar e assegurou, em entrevista coletiva, que o Governo levará "muito a sério" os resultados das eleições.

O primeiro-ministro reconheceu sua responsabilidade nos resultados ruins e os atribuiu ao fato de a população "não entender" seus planos de reforma financeira, que incluem um controvertido aumento do imposto sobre o consumo de 5% para 10%.

Quem recebeu com euforia os resultados eleitorais e com o tradicional "Banzai" (um grito de vitória japonês) foram os militantes do PLD, que aplaudiram seus eleitores por, após a abstenção no pleito passado, terem voltado a votar.

O PLD, que até agora tinha 38 senadores, deve passar a contar com pelo menos 50, em um triunfo que, além de lhe dar maior peso político, faz ressurgirem as vozes que pedem eleições antecipadas.

A oposição já pediu eleições gerais há menos de um mês, quando o então primeiro-ministro Yukio Hatoyama, com baixa popularidade, renunciou. Ele descumprira a promessa eleitoral de tirar uma base militar americana da província de Okinawa, no sul do país.

Kan, de 63 anos, assumiu o poder em 8 de junho com popularidade superior a 60%. Em apenas três semanas, porém, o apoio caiu a menos de 50%, e a derrota de hoje evidenciou uma queda ainda maior.

Entre os que hoje comemoravam vitória estava o jovem grupo Seu Partido, que conseguiu pelo menos sete senadores, segundo o cômputo da imprensa japonesa. Foi a primeira participação da legenda em eleições para o Senado.

Integrado por políticos dissidentes do PLD, a legenda, que em princípio quis se distanciar do PD de Kan, apontou hoje que está disposta a se aliar aos governantes pelo menos em algumas questões.

Os resultados de hoje obrigam o PD a buscar novos parceiros caso queira seguir controlando o Senado, já que a alternativa de deixar a Casa nas mãos da oposição desaceleraria seriamente a aprovação de leis.

O Senado, que renova a metade de suas 242 cadeiras a cada três anos, é determinante para garantir a governabilidade, mesmo com maioria na câmara baixa.

A participação nas eleições, realizadas em um dia chuvoso em quase todo o país, rondou 58% - 104 milhões de japoneses podiam votar. A presença foi muito similar à das eleições de 2007, segundo as projeções da agência de notícias "Kyodo".

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