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11/07/2010 - 17h32 / Atualizada 11/07/2010 - 17h38

Seis meses depois, Haiti ainda sofre com danos causados por terremoto

Porto Príncipe, 11 jul (EFE).- Os bairros da capital haitiana, Porto Príncipe, seguem imersos em um aparente caos seis meses depois do terremoto que matou 300 mil pessoas, com uma desoladora paisagem urbana cheia de tendas improvisadas e montanhas de escombros que esperam para ser retirados das ruas.

O trabalho de liberar as vias será liderado pela Companhia Nacional de Equipamento (CNE) e vários organismos internacionais por meio do programa conhecido como "dinheiro por trabalho", que emprega moradores de várias regiões afetadas pelo terremoto.

Mas com seus equipamentos rudimentares, certamente os participantes do programa, que recebem US$ 5 por dia, não conseguirão retirar rapidamente os 20 milhões de metros cúbicos de escombros que continuam sobre a capital.

"Por todo lado vemos concreto", afirma a médica Lise, que afirmou demorar mais tempo para chegar a sua clínica por causa dos obstáculos nas ruas.

Depois do terremoto, alguns desabrigados ocuparam parques públicos e espaços vazios para montar barracas improvisadas.

Alguns bairros também estão cheios de tendas de plástico, tela ou outros materiais, como o Canapé Vert e o Jean-Baptiste, bairro de classe média onde os moradores tentam tirar os escombros.

Nikelson Demosthène, de 30 anos, antigo funcionário dos Correios, faz parte há 12 dias do grupo que trabalha em um turno de 24 dias no programa "dinheiro por trabalho".

Segundo ele, a zona está cheia de restos de construções e "as pessoas seguem tirando os escombros de suas casas para jogá-los nas ruas".

"Levamos os escombros até um ponto acessível para que os caminhões possam retirá-los", acrescenta.

Demosthène lembra que a região foi quase isolada, ao ponto que "se uma família tivesse alguma urgência não seria possível contar com o transporte motorizado".

Algumas famílias começam pouco a pouco a reconstruir suas casas danificadas e seus arredores.

Em Fort National, bairro popular nos arredores do centro administrativo de Porto Príncipe, muitas casas caíram.

Pouco a pouco, o CNE esvazia o espaço com seus caminhões, que chegam à região com dificuldade.

"Durante os últimos seis meses não vimos nenhuma verdadeira mudança", admite Maryse, que abandonou Fort National com seus três filhos para morar em uma barraca em um grande acampamento no parque Champ de Mars, no centro de Porto Príncipe.

Perto do Champ de Mars, prédios públicos como o Ministério de Condição Feminina já foram limpos e tendas de campanha foram montadas para que os funcionários pudessem trabalhar, assim como aconteceu no palácio presidencial.

Além disso, vários vendedores informais chegaram à região depois de estabelecimentos comerciais terem sido destruídos e ocuparam espaços em frente às lojas.

É o caso de Eric, que vende livros usados em frente ao Museu do Panteão Nacional do Haiti, um dos poucos edifícios oficiais perto do palácio presidencial que ficou aparentemente intacto.

"Aqui tenho muitos problemas, porque quando chega a chuva, não conseguimos proteger os livros e é difícil encontrar um táxi para transportá-los rapidamente", diz.

Eric se diz preocupado com o fato de a comunidade não saber "a quem se dirigir para buscar soluções para os problemas", em um país que "dá dor de cabeça".

Outros como Nathalie Pierre, que perdeu as duas pernas, agradecem a ajuda internacional.

"É como se Deus os tivesse enviado para nos ajudar. Me deixou muito feliz ver como ajudavam todo mundo. Se não tivessem me ajudado estaria morta. Foi muito bom, por isso peço a Deus que os abençoe", afirma, sobre os médicos e pessoal de apoio hospitalar que trataram suas feridas.

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