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16/07/2010 - 15h40

Uribe reacende tensão com Venezuela e ameaça recorrer à Justiça internacional

Bogotá, 16 jul (EFE).- O Governo colombiano de Álvaro Uribe anunciou hoje que cogita denunciar em cortes internacionais a presença de chefes guerrilheiros na Venezuela, uma decisão que já foi respondida por Caracas e pode arruinar os esforços do presidente eleito colombiano, Juan Manuel Santos, para melhorar a relação bilateral.

Em um breve comunicado, o Governo da Colômbia afirma que, "durante seis anos", manteve um "diálogo paciente" mas "infrutífero" com a Venezuela sobre a presença de "líderes terroristas" nesse país. Para Bogotá, isso leva a "pensar novamente em recorrer às instâncias internacionais".

A nota reitera que as autoridades colombianas "obtiveram informações sobre a presença na Venezuela de terroristas", inclusive a localização de Rodrigo Granda, o chamado 'chanceler' das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que foi capturado no país vizinho em 2004, mas libertado em 2007.

Em resposta, o Governo venezuelano chamou para consultas seu embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez. Caracas anunciará, nas próximas horas, "medidas políticas e diplomáticas" em reação às "agressões" cometidas pela Administração de Uribe.

Antes de partir para a capital venezuelana, Márquez indicou à imprensa que a atitude de "provocação" contra a Venezuela foi uma constante do Governo Uribe. Ele acusou o Governo colombiano de lançar ataques para dificultar o diálogo bilateral.

Este novo capítulo de tensão entre os dois países - cujas relações diplomáticas e comerciais estão congeladas há quase um ano por decisão do líder venezuelano, Hugo Chávez - começou nesta quinta-feira, quando o Governo colombiano disse ter "provas" da presença de chefes guerrilheiros na nação vizinha.

Embora o anúncio dessas provas tenha sido anunciado com enorme repercussão, o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, divulgou-as apenas a diretores de veículos de comunicação do país. Ele esclareceu que não autorizará a divulgação desse material por assuntos de segurança.

Silva mostrou a esses jornalistas fotos e vídeos e entregou coordenadas que supostamente provam a presença "confirmada, clara e concreta" de terroristas das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) na Venezuela. Para ele, o Governo Chávez mostra "tolerância" com essas guerrilhas.

"O que Uribe procura com isso? Por que a poucos dias de entregar a Presidência ele ataca com todo seu ódio contra a Venezuela?", se questionou hoje em entrevista coletiva em Caracas o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

A mesma pergunta se fazem vários analistas e políticos colombianos, para os quais a informação sobre a presença de chefes guerrilheiros na Venezuela não é nova. Nesse contexto, questionam o Governo Uribe por retomar a ofensiva justamente neste momento.

Restam apenas três semanas a Uribe na Presidência colombiana. Santos, que o substituirá no dia 7 de agosto, enfatiza que uma de suas prioridades será melhorar a relação com a Venezuela.

Nesta quinta-feira, durante uma cerimônia em Miami (Estados Unidos), Santos se limitou a comentar que é necessário iniciar um "diálogo para resolver o problema que hoje está sobre a mesa, a presença de terroristas em território venezuelano".

O ex-presidente colombiano Ernesto Samper (1994-1998) destacou hoje, em entrevista à "Caracol Radio", que se preocupa com tentativas de "obstaculizar" o processo de diálogo com a Venezuela, tão buscado por Santos. Não se pode ter uma boa relação com os vizinhos "por meio do escândalo e da denúncia", opina Samper.

Já o analista Jairo Libreros, da Universidade Externado da Colômbia, indicou ao diário "El Tiempo" que Uribe fez de um período de transição "uma bomba política para afetar a mudança na política externa de Santos".

E o também analista Andrés Molano, da Universidade do Rosário, comentou a esse mesmo jornal que é preciso analisar "se há ganhos ao divulgar esta informação ou se teria sido melhor deixá-la para o novo Governo".

Na opinião do ex-vice-presidente venezuelano José Vicente Rangel, quem falou hoje com várias emissoras colombianas, se está tentando "perturbar" a possibilidade de recompor a relação entre os dois países.

Em seu primeiro pronunciamento nessa nova crise entre Colômbia e Venezuela, Uribe limitou-se a criticar a presença de guerrilheiros no país vizinho e disse apenas que deseja que as "novas gerações" de colombianos "possam viver em uma pátria livre do pesadelo do terrorismo".

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