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16/07/2010 - 17h14

Venezuela contesta Colômbia e chama para consultas embaixador em Bototá

Caracas, 16 jul (EFE).- O Governo da Venezuela chamou hoje para consultas seu embaixador na Colômbia, Gustavo Márquez, e anunciou mais medidas "políticas e diplomáticas" em resposta ao que qualificou como "agressões" da Administração do presidente Álvaro Uribe.

O Governo de Hugo Chávez reagiu assim às acusações feitas na quinta-feira pelo ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, quem entregou à imprensa de seu país supostas provas da presença na Venezuela de chefes guerrilheiros e indicou que não autorizará a divulgação desses documentos por razões de segurança nacional.

"Chamamos o embaixador Gustavo Márquez para que venha a consultas em Caracas e se junte à avaliação de uma série de medidas políticas e diplomáticas que serão tomadas nas próximas horas para rejeitar a agressão do Governo colombiano", disse em entrevista coletiva o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

Entre essas próximas "medidas" oficiais está o comparecimento ou não do presidente Hugo Chávez à posse do novo líder colombiano, Juan Manuel Santos, no dia 7 de agosto, assinalou Maduro na sede da Chancelaria.

Chávez chamou Uribe de "mafioso" e o acusou de querer "gerar um grande conflito" entre os dois países e travar o trabalho do futuro Governo da Colômbia.

O novo episódio de tensão bilateral ocorre quase um ano depois de Chávez ordenar, em 28 de julho de 2009, a "retirada" do embaixador Márquez de Bogotá e "congelar as relações diplomáticas e comerciais" com a Colômbia.

Isso por causa das acusações colombianas, consideradas "irresponsáveis" pelo Governo Chávez, sobre o suposto desvio de armas venezuelanas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), denúncias reiteradas pela Colômbia e sistematicamente rechaçadas pela Venezuela nos últimos anos.

Maduro considerou nesta sexta-feira uma "grosseria" a nova acusação do Governo colombiano. Segundo o chanceler, a Administração de Uribe "quer fechar com chave de ouro seu trabalho de destruição das relações" bilaterais.

Em sua opinião, o ministro Silva "não apresentou nenhum elemento que pudesse ter algo de veracidade, justamente em um momento quando parecia avançar um processo de aproximação com o novo Governo da Colômbia".

Maduro ressaltou que "Uribe decidiu dinamitar a possibilidade de um avanço" nas recomposição das relações bilaterais e destacou que dependerá do novo Governo colombiano observar "um respeito absoluto" pela Venezuela e suas instituições.

"Desejamos uma profunda retificação dos que vão governar a Colômbia. Qualquer relação deve se basear no absoluto respeito à Venezuela, a seu Governo e a seu povo", reiterou o chanceler venezuelano.

O Governo de Caracas "está pronto" para iniciar uma aproximação produtiva com a Colômbia, e "sabe como fazê-lo", mas isso "depende de quem governe a Colômbia", acrescentou Maduro.

Na última quarta-feira, Chávez anunciou que avaliava se iria comparecer à posse de Santos na Presidência colombiana. Ele indicou ao novo governante colombiano que deve "respeitar" a Venezuela para dar um passo indispensável na retomada das abaladas relações bilaterais.

Chávez disse ter autorizado Maduro a atender aos pedidos de reunião da chanceler designada do novo Governo colombiano, María Ángela Holguín, para buscar uma aproximação entre os dois países.

Nesse sentido, o líder venezuelano reiterou na quarta-feira que uma melhora nas relações bilaterais dependeria da discussão de temas como o das "bases militares dos Estados Unidos na Colômbia" e os "ataques" verbais colombianos "contra a Venezuela".

As tensões bilaterais aumentaram no último ano com a assinatura do acordo militar pelo qual militares americanos podem utilizar pelo menos sete bases colombianas para o combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

Tal acordo é considerado por Chávez uma "ameaça" à "revolução" bolivariana que encampou há 11 anos, quando assumiu o poder na Venezuela.

O congelamento das relações bilaterais desde julho de 2009 causou impacto especialmente no setor comercial, que chegou a registrar uma troca próximo aos US$ 6 bilhões em 2008.

Dados oficiais colombianos indicam que as exportações desse país para a Venezuela caíram 76,6% entre janeiro e maio de 2010 em relação ao mesmo período do ano anterior.

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