UOL Notícias Notícias
 
19/07/2010 - 12h11

Hillary anuncia primeiros projetos do plano de ajuda civil ao Paquistão

Igor G. Barbero
Em Islamabad

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, apostou hoje na construção de uma relação sólida com o Paquistão, além da luta antiterrorista, ao anunciar os primeiros projetos de um multimilionário pacote de ajuda civil ao país.

"Estamos comprometidos em estabelecer uma relação que vá além da segurança. Estamos progredindo, mas ainda há um longo caminho pela frente (...) Há um legado de suspeita que não vai ser eliminado da noite para o dia", declarou Hillary em entrevista coletiva junto de seu colega paquistanês, Shah Mehmood Qureshi.


Horas antes, Hillary e Qureshi lideraram suas delegações na segunda rodada ministerial de diálogo "estratégico" entre os países, depois do encontro de março em Washington.

Após meses de encontros setoriais de 13 grupos de trabalho em âmbitos como defesa, educação e energia, Hillary detalhou os primeiros projetos que os EUA financiarão dentro do plano de assistência civil aprovado em fins de 2009 e dotado de US$ 1,5 bilhão anuais para os próximos cinco anos.

Entre as iniciativas, mostradas hoje em mapas, faz-se insistência em setores em grave crise como o de água e o energético, através da construção de açudes, renovação de infraestruturas e potencialização da capacidade de geração.

Também figuram projetos em matéria de saúde, como a criação de hospitais em várias cidades, e outros orientados ao crescimento econômico e à agricultura, como um acordo para exportar mangas aos EUA, uma fruta emblemática no Paquistão e "deliciosa", segundo Hillary.

"É fundamental que consigamos manter este impulso", expressou visivelmente otimista Hillary, antes de acrescentar que todas estas ações "são uma prova do compromisso" para desenvolver uma relação estratégica duradoura com o Paquistão, que resulte em "paz" e "prosperidade" para o povo paquistanês.

"Há uma grande diferença entre falar e escutar. Já não estamos só falando, estamos escutando também", expôs Qureshi, quem aplaudiu que a acirrada agenda de contatos dos últimos meses tenha dado resultados e permitido passar a fase da implementação.

Qureshi enfatizou a necessidade de "comunicar melhor", de fazer "diplomacia pública", e expôs que a opinião dos paquistaneses com relação aos EUA, ainda bastante negativa conforme as pesquisas, "mudará quando as pessoas começarem a ver como mudam suas vidas com esta nova relação".

Washington considera o Paquistão um aliado-chave na região para o êxito das forças internacionais no vizinho Afeganistão, onde Hillary se desloca hoje para assistir amanhã à Conferência de Cabul junto a delegados de 70 países, da ONU e a Otan.

Com este pacote de assistência para o Paquistão que agora é colocado em prática, os EUA situam quase no mesmo nível de ajuda civil e militar; esta última tinha sido até agora muito superior e ascende a mais de US$ 12 bilhões desde 2001, segundo fontes oficiais americanas.

Estas fontes explicaram ontem à Efe que durante os últimos meses foram perfilados os mecanismos para a entrega dos fundos, para os quais constam restritivas salvaguardas que garantam uma correta utilização do dinheiro.

Cerca da metade da ajuda irá diretamente ao Governo paquistanês para programas de desenvolvimento incluídos nos orçamentos e o restante será canalizado por meio de instituições, com especial ênfase a participação de ONG locais.

Durante sua visita ao Paquistão, que começou ontem e é a segunda desde que assumiu o cargo, a chefe da diplomacia americana se reuniu também com o primeiro-ministro, Yousef Raza Guilani, e o presidente, Asif Ali Zardari.

Os analistas acreditam que nas reuniões, Hillary sublinhou a necessidade de as forças de segurança do Paquistão lançar uma operação na região do Waziristão do Norte, a única demarcação do cinto tribal fronteiriço com o Afeganistão onde não há ofensivas antitalibãs em andamento.

Waziristão é considerado uma das maiores fortificações fundamentalistas e é o reduto de uma das facções mais radicais dos talibãs afegãos, a conhecida como "rede Haqqani", alvo habitual dos ataques dos aviões-espiões dos EUA que operam na região.

Em outubro próximo, segundo anunciaram Hillary e Qureshi, ocorrerá uma nova rodada de diálogo estratégico entre os dois países.

 

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host