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20/07/2010 - 17h21

Cameron defende BP e descarta investigação sobre libertação de Megrahi

Macarena Vidal.

Washington, 20 jul (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, defendeu hoje a BP das críticas pelo vazamento de petróleo no Golfo do México e descartou uma investigação sobre o papel da companhia petrolífera na libertação do terrorista líbio Abdelbaset Al Megrahi.

Cameron se reuniu hoje com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Salão Oval e depois seguiu para um almoço de trabalho com o vice-presidente Joe Biden.

Obama e Cameron trataram de assuntos como a guerra no Afeganistão, a situação no Oriente Médio e a crise econômica global, além do derrame e da responsabilidade da British Petroleum.

Depois que uma comissão do Senado convocou os diretores da BP para que esclareçam o papel da companhia na libertação de Megrahi no ano passado, Cameron pediu ao Governo americano que não confunda à petrolífera com o caso dessa libertação.

Megrahi foi o único responsável condenado pelo atentado que matou 270 pessoas com a explosão de um avião americano sobre a localidade escocesa de Lockerbie, em 1989.

A libertação do terrorista "foi uma decisão do Governo autônomo escocês, não da companhia petrolífera", destacou o primeiro-ministro.

A BP deve explicar que papel teve nessa libertação, acrescentou Cameron, que ressaltou, no entanto, que "não há nenhum indício" de que o executivo escocês tenha sido influenciado por pressões da companhia petrolífera.

Megrahi foi devolvido a seu país porque supostamente sofria com um câncer de próstata terminal. Um ano depois ele segue vivo e em liberdade na Líbia, sem que haja indícios de uma piora no seu estado a saúde.

Segundo os meios de comunicação britânicos, a BP pressionou a favor da libertação, pois buscava concessões petrolíferas em águas líbias.

Na ocasião tanto Cameron, então líder da oposição, como o Governo americano criticaram duramente a decisão do Governo autônomo escocês, por considerar que Megrahi deveria cumprir toda a sua condenação de prisão perpétua.

Hoje os dois líderes afirmaram que aquela libertação foi um erro que "nunca deveria ter acontecido".

No entanto, Cameron se declarou contra a abertura de uma investigação sobre a libertação do terrorista líbio no Reino Unido.

"Não é preciso uma investigação para dizer que a decisão foi uma má decisão", ressaltou.

O primeiro-ministro se mostrou aberto à possibilidade de publicar mais informações acerca do caso e prometeu "a colaboração adequada" com o Senado dos Estados Unidos, que realizará uma audiência sobre a libertação e o papel que a BP desempenhou.

Durante sua estadia em Washington, Cameron deve se reunir com um grupo de senadores para tratar dessa audiência.

O presidente americano, por sua vez, disse que dará "as boas vindas" a qualquer novo dado que esclareça as razões e as circunstâncias da decisão do executivo escocês.

Sobre a BP, Cameron afirmou que entende a frustração nos Estados Unidos com a companhia petrolífera por sua responsabilidade na "catástrofe" que é o derrame e disse que concorda que a empresa deve pagar pelos custos do vazamento.

No entanto, a BP é "uma companhia importante e convém a nossos dois países que siga sendo uma empresa estável e forte", defendeu Cameron.

Os dois líderes louvaram a "excelente relação" entre os dois países e se esforçaram em demonstrar uma boa sintonia pessoal.

Em um dado momento trocaram inclusive brincadeiras acerca das cervejas que compartilharam durante a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, principais países ricos e emergentes) no Canadá no mês passado.

O primeiro-ministro do Reino Unido encerra sua visita aos EUA na quarta-feira em Nova York, onde se reunirá com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e participará de um jantar oferecido pelo prefeito da cidade, Michael Bloomberg.

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