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20/07/2010 - 15h27

Karzai recebe respaldo da comunidade internacional

Agus Morales.

Cabul, 20 jul (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, recebeu hoje o apoio de parceiros internacionais na Conferência de Cabul, que terminou com a decisão de dar ao governante mais controle na gestão dos recursos destinados ao país e apoiar seu plano de paz com os talibãs.

Apesar do respaldo, os 70 delegados de países e organizações internacionais que se reuniram na sede do Ministério de Assuntos Exteriores afegão fizeram inúmeras exigências e lembraram seu compromisso de assumir as rédeas da segurança do Afeganistão até 2014.

Os presentes expressaram seu "firme apoio a que pelo menos 50% da ajuda ao desenvolvimento sejam canalizados por meio do orçamento do Governo afegão em dois anos", diz a declaração conjunta emitida ao final da conferência.

Além disso, os países doadores alocarão nos próximos dois anos 80% de sua ajuda aos "programas nacionais prioritários" de Karzai, de quem exigiram projetos, calendários e orçamentos bem detalhados para outubro.

Não foram divulgados números concretos, mas uma minuta do Governo afegão de dias atrás incluía planos no valor de US$ 9 bilhões - a comunidade internacional prometeu US$ 12 bilhões.

Receosos com a corrupção no Afeganistão, os delegados participantes da conferência pediram a criação de uma força especial contra crimes do gênero, um tribunal anticorrupção, uma lei de auditoria e inclusive salários unificados para funcionários públicos afegãos que trabalhem em programas financiados com ajuda estrangeira, tudo isso com prazos curtos e concretos.

A fraude eleitoral de 2009 também não passou em branco, o que levou os representantes estrangeiros a exigir que as eleições parlamentares deste segundo semestre sejam transparentes.

Em seu discurso, Karzai descreveu o apoio que pedia à comunidade internacional como "uma oportunidade única" para o Afeganistão e garantiu que as forças de segurança afegãs se responsabilizarão pelas operações militares em todas as províncias até o final de 2014.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falou da "urgência" da cessão do controle militar às forças afegãs, já que as tropas internacionais que completarão sua chegada em agosto (até 150 mil soldados) devem iniciar sua retirada em julho de 2011.

Tanto Hillary como o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, descartaram fixar um calendário para a saída definitiva e optaram por decidi-la de acordo com a situação no terreno.

Mesmo assim, defenderam a 'afeganização' da segurança para favorecer o "processo de transição" proposto por Karzai.

Para que isso aconteça, os reunidos em Cabul aceitaram continuar oferecendo recursos e treinamento às forças afegãs com o objetivo de que o Exército tenha 171.600 soldados e a Polícia, 134 mil, em outubro de 2011.

Os participantes da conferência também apoiaram a pedra fundamental do atual mandato de Karzai, o "plano de reconciliação" com os talibãs.

Hillary opinou, no entanto, que o plano só seguirá adiante se os insurgentes realmente decidam abandonar as armas e se desligar da rede terrorista Al Qaeda.

A maioria dos presentes comemorou o "progresso" conseguido no Afeganistão, praticamente sem fazer referências à guerra no país, que está em um de seus momentos mais violentos.

Todos destacaram a importância de a conferência ter sido realizada em Cabul, um empenho de Karzai, isolado após a reeleição presidencial fraudulenta de 2009 e que organizou outros eventos, como a assembleia da paz ('jirga') de junho, em uma tentativa de ganhar credibilidade.

A conferência transcorreu sem incidentes graves como os ataques talibãs à 'jirga' de junho. Porém, de madrugada, três mísseis caíram perto do aeroporto de Cabul.

No final do dia, oito policiais morreram e um ficou ferido em um ataque insurgente em Dana Ghori, na província de Baghlan, segundo uma fonte oficial.

A mesma fonte acrescentou que três talibãs morreram e cinco ficaram feridos no confronto.

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