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25/07/2010 - 21h53

Documentos dos EUA revelam mortes de civis e missões secretas no Afeganistão

Washington, 25 jul (EFE).- Cerca de 90 mil relatórios militares classificados dos Estados Unidos vazados à imprensa revelam operações secretas dos militares americanos e mortes de civis que nunca antes haviam sido informadas publicamente.

Os documentos foram cedidos pela organização Wikileaks ao jornal americano "The New York Times", ao britânico "The Guardian" e ao alemão "Der Spiegel". Espera-se que nas próximas horas esses documentos sejam também divulgados no site da entidade.

Segundo o "The New York Times", os documentos destacam que os serviços de inteligência paquistaneses ajudaram secretamente o movimento talibã no Afeganistão, mesmo o Governo de Islamabad recebendo mais de US$ 1 bilhão anuais dos EUA para o combate aos insurgentes.

Os documentos, relatórios de campo no Afeganistão, "indicam que os soldados americanos no terreno estão inundados de relatórios de uma rede de agentes e colaboradores paquistaneses que opera desde o anel tribal paquistanês ao longo da fronteira com o Afeganistão, o sul desse país e chega a Cabul".

O diário indicou em sua página digital que muitas das informações não são checáveis, mas que "inúmeros relatórios se baseiam em fontes que os militares consideram confiáveis".

Os relatórios também incluem relatos de primeira mão sobre a falta de vontade paquistanesa a enfrentar os insurgentes que atacam perto dos postos de fronteira paquistaneses, apontou "The New York Times".

Segundo o jornal, esses documentos assinalam que o Paquistão "permite representantes de seus serviços secretos reunirem-se diretamente com os talibãs em sessões secretas de estratégia para organizar redes de grupos militantes que enfrentam os soldados dos EUA no Afeganistão, e inclusive tramam planos para assassinar líderes afegãos".

Já o "The Guardian" indicou que esses relatórios revelam que "um grande número de incidentes até agora desconhecidos" referentes a mortes de civis "parecem ser resultado de soldados que abrem fogo contra motoristas desarmados ou motociclistas, pela determinação de se proteger de terroristas suicidas".

Segundo o "The Guardian", os documentos constatam 195 civis mortos e outros 174 feridos, mas que é provável que esses números estejam subestimados "porque muitos incidentes em dúvida são omitidos" dos relatórios de campo.

A publicação dos documentos levou o Governo americano a condená-los imediatamente. Em comunicado, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, indicou que o vazamento dos relatórios "põem em perigo as vidas dos americanos e de nossos parceiros".

Jones também ressaltou que os documentos vazados abrangem o período entre janeiro de 2004 e dezembro de 2009, a maior parte durante o mandato do presidente George W. Bush.

Ele enfatizou que o atual presidente americano, Barack Obama, emitiu em dezembro de 2009 a nova estratégia para o Afeganistão. Além disso, ressaltou a "profunda aliança" entre EUA e Paquistão e assegurou que a cooperação antiterrorista contribuiu para resultados significativos no combate aos líderes da Al Qaeda.

A publicação dos documentos ocorre após a detenção do analista de inteligência Bradley Manning, acusado neste mês pelo vazamento de dados classificados.

Manning foi detido depois de um hacker, Adrian Lambo, denunciar que o analista havia baixado 260 mil documentos classificados e tê-los enviado à organização Wikileaks.

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