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25/07/2010 - 10h12

"Duch", o responsável pela máquina de matar do Khmer Vermelho

Miguel F. Rovira.

Phnom Penh, 25 jul (EFE).- Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch", o chefe torturador da máquina de matar que o Khmer Vermelho usou durante 44 meses com loucura que pulverizou o Camboja, conhecerá amanhã a sentença do tribunal internacional que o julgou por crimes de guerra e contra a humanidade, assassinato e tortura.

Para trás ficaram 77 audiências infestadas de depoimentos horríveis de sobreviventes e subalternos aos que ordenou que arrancassem unhas, queimassem pessoas vivas, degolassem e matassem a tapas ao menos 14 mil pessoas.

Por isso, os cambojanos identificam Duch como o mais cruel dos torturadores do Khmer Vermelho.

Duch nasceu em 17 de novembro de 1942 no seio de uma família de origem chinesa na província de Kampong Thon, e com 14 anos começou a interessar-se pelo comunismo.

No início dos anos 60, entrou clandestinamente ao Partido Comunista do Kampuchea, pelo qual foi preso sem julgamento durante dois anos na prisão de Prey Sar, onde era comum torturar detentos.

Após a anistia que seguiu em 1970 ao golpe do general Lon Nol, Duch conseguiu um cargo como chefe de M-13, uma prisão em uma área sob controle do Khmer Vermelho, e mais tarde se encarregou de M-99, onde 20 mil pessoas podem ter sido executadas.

Foi naquela época que aperfeiçoou os diferentes métodos de tortura para extrair informação dos presos.

Em abril de 1975 e após a chegada ao poder do Khmer Vermelho, o ministro da Defesa do regime, Son Sen, encarregou Duch de estabelecer a sede dos interrogatórios.

Um ano depois, o carcereiro foi promovido ao cargo de comandante do centro de detenção de Tuol Sleng e S-21, hoje Museu do Genocídio.

De 14 mil a 16 mil pessoas - incluindo ministros, diplomatas, estrangeiros e até 2 mil crianças - foram torturadas nessa prisão de alambrados eletrificados antes de serem assassinados depois nos campos de extermínio de Choeung Ek, nos arredores de Phnom Penh.

No fim de 1978, a paranóia do Khmer Vermelho estava totalmente descontrolada e como mais e mais gente chegava Tuol Sleng, Duch ordenou - por falta de tempo - acelerar as execuções sem interrogar os detidos.

Em janeiro de 1979 e com as tropas do Vietnã às portas de Phnom Penh, Duch e seu pelotão de carrascos foram os últimos a fugir, sem tempo de destruir milhares de documentos e fotografias das vítimas.

Da mesma forma que outros dirigentes e guerrilheiros do Khmer Vermelho, Duch fugiu para as selvas próximas da fronteira tailandesa, onde se escondeu em um campo de refugiados e onde se relacionou com voluntários estrangeiros que desconheciam sua verdadeira identidade.

Após a assinatura dos acordos de paz de Paris em 1991, Duch e sua família foram para uma aldeia, mas quatro anos depois e após o assassinato de sua mulher por bandidos, transferiu residência para a cidade de Svay Chek, onde aderiu à religião evangélica e tornou-se pastor.

As autoridades cambojanas conheciam seu paradeiro, mas o chefe torturador do Khmer Vermelho só foi detido em maio de 1999, após uma entrevista publicada pela antiga revista "Far Eastern Economic Review".

No início do julgamento, este homem baixo de olhar penetrante aparentou docilidade, mas na medida em que avançava o processo revelou sua autêntica natureza, com um comportamento desafiador.

Por trás da aparente modéstia, quase em cada audiência Duch parecia orgulhoso de sua gestão como diretor de Tuol Sleng, escutava atentamente os relatos das testemunhas e, em alguns casos, negou a veracidade dos testemunhos e até corrigiu promotores e juízes na exposição dos detalhes de sua vida e da política de extermínio do Khmer Vermelho.

A atitude desafiadora de Duch contrastou com a imagem de pessoa arrependida que quis dar ao início do processo, ao pedir perdão publicamente e assumir sua responsabilidade pelos crimes dos quais é acusado.

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