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26/07/2010 - 11h50

Chefe torturador do Khmer Vermelho é condenado a 35 anos de prisão

Miguel F. Rovira.

Phnom Penh, 26 jul (EFE).- O chefe torturador do antigo regime do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, foi condenado hoje a 35 anos de prisão pelo tribunal internacional do Camboja, após ser declarado culpado de crimes contra a Humanidade, assassinato e tortura.

Eav, de 67 anos e conhecido como "Duch", é o primeiro dos cinco ex-altos funcionários que o tribunal condenou por sua implicação nas atrocidades cometidas durante aquele regime que causou a morte de pelo menos 1,7 milhões de pessoas.

O tribunal rebaixou a pena em cinco anos por considerar que o ex-chefe da prisão de Tuol Sleng ou o S-21, preso em 1999 e acusado formalmente em julho de 2007, esteve preso de forma ilegal e cooperou com a Justiça, por isso que deverá cumprir outros 19 anos de prisão após já ter passado 11 anos atrás das grades.

A Promotoria das Câmaras Extraordinárias dos Tribunais do Camboja, denominação oficial do órgão judicial auspiciado pelas Nações Unidas, tinha pedido 40 anos de prisão, a pena máxima contemplada pela legislação cambojana.

Por sua vez, a defesa pediu a absolvição de Duch, a quem pintou como servidor da hierarquia do Khmer Vermelho, e questionou a "jurisdição" do tribunal para processá-lo.

"Todas as pessoas detidas no S-21 tinham o destino de ser executadas de acordo com a política ditada pelo Partido Comunista de Kampuchea para acabar com os inimigos", retrucou Nil Nonn, o juiz que presidiu a audiência.

O tribunal encarregado de investigar e julgar as atrocidades do Khmer Vermelho se pronunciou três anos depois do início do caso e mais de três décadas desde que o brutal regime foi derrubado pelas tropas vietnamitas que invadiram o Camboja.

O ex-diretor da prisão de Tuol Sleng foi julgado ao longo de 77 vistas e acusado de crimes de guerra e contra a Humanidade, além de casos de assassinato e tortura cometidos enquanto esteve no comando desta.

Entre 14 mil e 16 mil pessoas, 2 mil delas crianças, foram interrogadas e torturadas em Tuol Sleng antes de serem assassinadas nos campos de extermínio de Choeung Ek, a 15 quilômetros de Phnom Penh, a capital.

Ao amanhecer e antes que o tribunal abrisse suas portas, centenas de cambojanos, observadores, diplomatas e jornalistas aguardavam para entrar e acompanhar o desenvolvimento da audiência.

O Camboja é um país no qual a superstição é muito disseminada. A queda do teto da prisão de Tuol Sleng, hoje o Museu do Genocídio, foi interpretada por muitos como um sinal de que os "espíritos das vítimas estavam reivindicando justiça".

No entanto, a condenação foi considerada leve pela maior parte do público que foi a audiência.

"Isto não é justiça. O tribunal nos decepcionou", disse Bou Meng, de 69 anos, e um dos sobreviventes que foi chamado para depor durante o julgamento.

Duch é o único dos cinco acusados que expressou remorso e pediu perdão aos sobreviventes.

Esperam para serem julgados Khieu Samphan, ex-presidente da República Democrática de Kampuchea; Nuon Chea, "irmão número dois" e ideólogo da organização; Ieng Sary, ex-ministro de Exteriores; e sua esposa, Ieng Thirit, ex-titular de Assuntos Sociais.

Pol Pot, o "irmão número um" e líder do Khmer Vermelho, morreu na selva cambojana em abril 1998.

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