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26/07/2010 - 19h29

EUA enfrentam danos de vazamento de documentos sobre guerra no Afeganistão

Macarena Vidal.

Washington, 26 jul (EFE).- Alarmado pelo vazamento de mais de 90 mil documentos militares sobre a guerra no Afeganistão divulgados pela organização Wikileaks, o Governo dos Estados Unidos tenta agora determinar o dano exato causado pela publicação desse material.

Os citados relatórios militares revelam operações encobertas, mortes de civis jamais informadas publicamente e denunciam a ajuda dos serviços secretos paquistaneses ao movimento talibã.

A Wikileaks publicou na noite deste domingo em seu site a maior parte dos documentos sob o título "Diário da Guerra Afegã". Os arquivos abrangem de janeiro de 2004 até 2010, diz a organização.

Outros 15 mil estão reservados a pedido de sua fonte, mas a Wikileaks garante que os publicará posteriormente após ocultar dados que possam prejudicar a fonte.

Em sua entrevista coletiva diária, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os documentos "não contêm grandes novas revelações", mas detalham "nomes, operações, pessoal".

"Isso tem um efeito comprometedor sobre nossa segurança", destacou Gibbs, segundo o qual o presidente americano, Barack Obama, considera o vazamento "alarmante".

Embora estas revelações não apresentem grandes novidades - o papel do ISI, o serviço secreto paquistanês, no nascimento do movimento talibã está bem documentado há anos -, elas alimentam a polêmica sobre uma guerra cada vez mais impopular.

O vazamento vem pouco depois de os EUA substituírem Stanley McChrystal como comandante no Afeganistão e nomearem o general David Petraeus para seu lugar. Ao mesmo tempo, as forças americanas tentam resistir às pressões talibãs de modo a poder cumprir o objetivo anunciado por Obama de começar a retirada das tropas americanas em julho de 2011.

A publicação dos documentos coincide também com o anúncio por parte dos talibãs de que mantêm um soldado americano como prisioneiro.

Gibbs afirmou que os EUA alcançaram progressos em seus laços com o Paquistão e as pressões de Washington têm "melhorado esta relação" e conseguido com que Islamabad esteja mais disposta a tomar medidas contra os refúgios dos insurgentes em seu território.

No entanto, o porta-voz admitiu que a situação está muito longe de ser perfeita.

"Sabemos que a situação atual é inaceitável e temos que continuar fazendo com que esta relação avance na direção certa", destacou Gibbs.

Após a publicação dos documentos no domingo, a Casa Branca emitiu imediatamente uma condenação taxativa.

Em comunicado, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse que as filtragens "põem em perigo as vidas dos americanos e de nossos parceiros".

No Pentágono, analistas examinam os documentos para determinar qual é o dano exato possivelmente causado pelo vazamento.

O coronel Dave Lapan, porta-voz do Departamento de Defesa, disse que o Governo americano tenta determinar "o dano potencial para as vidas de nossos soldados e dos membros de nossa coalizão", algo que exigiria "dias, ou inclusive semanas".

O porta-voz rejeitou comentar o conteúdo dos documentos ao alegar que a publicação na internet não faz com que deixem de ser classificados como secretos.

Antes de publicar os documentos em seu site, a Wikileaks os cedeu aos diários "The Guardian", do Reino Unido, e "The New York Times", dos EUA, assim como ao semanário alemão "Der Spiegel".

O Pentágono investiga de onde veio o vazamento e apontou que o responsável pode ser qualquer pessoa com acesso a documentação secreta.

O vazamento destes documentos, que revelam mortes não divulgadas de civis no Afeganistão, coincide com uma denúncia feita hoje pelo presidente afegão, Hamid Karzai, o qual assegurou que 50 civis morreram há três dias em um ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Em seu comunicado de denúncia, Karzai aproveitou para falar dos classificados e sugerir que respaldam a teoria do Governo afegão de que "o centro do terrorismo não está nas aldeias afegãs, mas do outro lado da fronteira", no Paquistão.

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