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26/07/2010 - 15h22

Karzai afirma que 52 civis morreram em ataque da Otan

(corrige lead).

Agus Morales.

Cabul, 26 jul (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, denunciou hoje que 52 civis morreram há três dias em um ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), dados que coincidem com o vazamento de documentos confidenciais do Pentágono sobre mortes de civis no Afeganistão que não foram divulgadas.

Karzai condenou o ataque e afirmou que o Conselho de Segurança Nacional afegão dispõe de informações segundo as quais 52 civis morreram na noite do dia 23 na aldeia de Regi, no distrito de Sangin na conflituosa província sulina de Helmand.

"O presidente deu os pêsames às famílias das vítimas por telefone, disse que as mortes de civis são inaceitáveis e pediu à Otan que redobre seus esforços para evitar baixas civis", assegurou o Palácio Presidencial.

Uma fonte da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), consultada pela Agência Efe, assegurou que as "investigações preliminares" realizadas pela organização militar junto ao governador de Helmand não oferecem, até agora, provas de que os foguetes foram lançados pela Isaf, embora as pesquisas continuem.

Antes da divulgação do comunicado de Karzai, o porta-voz adjunto do governador desta província confirmou à Efe o ataque com projéteis, mas disse desconhecer a autoria e explicou que tinha sido aberta uma investigação.

Os foguetes atingiram uma casa onde se amontoavam "refugiados" que fugiam de "combates", segundo a fonte.

Um chefe tribal de Regi, o mulá Rabani, explicou que um grupo de talibãs irrompeu no povoado na sexta-feira de manhã e avisou os aldeões que iam lutar contra as tropas estrangeiras.

"Estávamos todos assustados e nos reunimos em um grande complexo. Depois um helicóptero veio e atacou várias casas. Foram ouvidas duas grandes explosões. Depois vimos que o complexo tinha sido destruído e que 50 pessoas, entre elas mulheres e crianças, tinham morrido", relatou à Efe o líder tribal.

"Eu mesmo enterrei 30 corpos", acrescentou.

Um total de 1.074 civis morreram no primeiro semestre do ano vítimas da guerra afegã, um aumento de 1,3% com relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da organização independente Afghanistan Rights Monitor (ARM).

A ARM atribui aos insurgentes talibãs 661 das mortes civis do semestre e a Isaf, 210 mortes, uma "redução considerável" graças às "restrições impostas no uso de bombardeios aéreos".

Recentemente o general cassado Stanley McChrystal, chefe das tropas internacionais entre o verão de 2009 e de 2010, impôs normas para diminuir as vítimas civis, algo que despertou elogios do Governo afegão e receio entre uma parte do contingente militar.

No entanto, os 90 mil documentos militares americanos divulgados graças à organização Wikileaks revelam inúmeros casos de civis mortos não só em bombardeios e batidas - as ações militares estrangeiras mais criticadas -, mas em disparos contra pessoas desarmados em números muito maiores que o imaginado, algo que a Isaf está acostuma a justificar como um protocolo para evitar atentados suicidas.

Em seu comunicado, Karzai aproveitou para tratar destes relatórios - que cobrem o período 2004-2010 - e sugerir que respaldam a teoria do Governo afegão de que "o centro do terrorismo não está nas aldeias afegãs, mas do outro lado da fronteira", no Paquistão.

O porta-voz presidencial, Wahid Omar, aprofundou hoje este aspecto em entrevista coletiva e expressou o desejo de Karzai de que o vazamento sirva para "conscientizar ainda mais" às potências estrangeiras, não só sobre as consequências negativas das mortes civis, mas também sobre os refúgios terroristas no Paquistão.

O material classificado abunda sobre o controvertido papel da espionagem paquistanesa (ISI) na guerra afegã, como um suposto apoio logístico à rede Haqqani -, acusada de realizar alguns dos golpes terroristas mais violentos no Afeganistão- e inclusive uma suposta implicação do ISI em uma trama para assassinar Karzai.

Nos círculos diplomatas afegãos, o ISI está acostuma a ser alvo de muitas críticas, especialmente por seu suposto apoio às redes talibãs e pela teoria da "profundeza estratégica", segundo a qual Islamabad procura ampliar sua influência no Afeganistão apoiando os grupos pashtuns, também presentes em seu território.

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