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01/08/2010 - 17h12

Chávez anuncia "objetivo supremo" de impedir que Uribe faça guerra

Caracas, 1 ago (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que traçou o "objetivo supremo" de impedir que seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, quem chamou de "lacaio" dos Estados Unidos, consiga provocar uma guerra entre as duas nações nesta semana.

Uribe passará o cargo no próximo sábado ao seu ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, quem optou por permanecer em silêncio diante da crise, que teve seu clímax em 22 de julho, quando Chávez decidiu romper formalmente as relações com a Colômbia.

Chávez respondeu assim à denúncia do Governo de Uribe sobre a suposta presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano e após alertar que esta informação constituía em um pretexto para esconder problemas internos da Colômbia e o "permanente" empenho "imperialista" americano contra si.

Em sua coluna dominical, "As líneas de Chávez", o governante pediu a Santos que "entenda que não há outro interesse a não ser encontrar a paz duradoura e confiável" em seu país, o que também beneficiaria a Venezuela e as demais nações vizinhas.

Depois de afirmar nos últimos dias que teve de revisar "planos de guerra" contra a Colômbia e ordenar, "em silêncio, porque não queremos causar alarme", o reforço militar nas mais de 2,2 mil quilômetros de fronteira comum, Chávez escreveu hoje que isso não significa uma redução da intensidade de seus anelos de paz.

"Não vão esmorecer em nosso empenho de conquistar relações decentes e respeitosas", disse e pediu "para o povo colombiano o mesmo direito que reivindicamos para nosso povo e para todos os povos de nossa América: o direito de viver em paz".

Após alertar sobre "a gravidade do que está acontecendo entre Venezuela e Colômbia", Chávez disse que "o dilema está entre as palavras e os projéteis (...) entre levar à mesa de diálogo dos povos do sul o exercício voluntarioso pela paz ou manter na região um ambiente de confronto com uma elevada periculosidade bélica".

Os chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul) acordaram nesta semana que os presidentes devem abordar o assunto em breve, embora tenham dito que o tema poderia ser alvo de conversas informais na cúpula que o Mercosul realizará terça-feira na Argentina e na qual espera-se a presença de Chávez.

A Unasul deve atuar no confronto entre a "sensatez e prudência políticas versus irracionalidade e violência militaristas", embora "já sabemos de que lado esteve o Governo da Colômbia nos últimos oito anos", acrescentou o líder.

A "aposta na agressão permanente como estratégia de Estado" que atribuiu a Uribe, contrasta, prosseguiu, com uma Venezuela onde "não temos nem sindicalistas assassinados, nem deslocados, nem forças insurgentes no país".

Também não temos "grupos paramilitares, nem importantes extensões de terra ao serviço da produção de drogas, nem bases militares americanas, nem valas comuns de cadáveres".

Chávez aproveitou a crise para retomar seus pedidos à guerrilha colombiana a que renuncie à luta armada e se comprometeu em contribuir para buscar "os caminhos em direção à paz".

Na sexta-feira, ele disse que não descartava que guerrilheiros tivessem entrado para seu país, da mesma forma como fazem os criminosos comuns, o narcotráfico, mas destacou que nos locais onde o Governo de Uribe assegurou que existem acampamentos guerrilheiros não foram encontradas evidências.

Uma coordenada indicada pela Colômbia como "prova contundente" resultou corresponder, acrescentou Chávez hoje, em um lugar onde existe uma pedra no meio de um rio, e outra "uma casa velha abandonada".

Nesse sentido, a procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega, disse hoje que as "provas" apresentadas pela Colômbia diante da Organização dos Estados Americanos (OEA) são "pouco sérias", "pré-fabricadas" e carecem de valor jurídico.

"O que querem passar é que o Estado venezuelano protege grupos ilegais, que facilita o trânsito de droga, para justificar o ataque de diferentes organismos internacionais" à Venezuela, disse a promotora.

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