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01/08/2010 - 16h25

Guarda Nacional dos EUA começa desembarque na fronteira com o México

María Peña.

Nogales (EUA.), 1 ago (EFE).- A Guarda Nacional inicia hoje a primeira fase do desdobramento de 1,2 mil soldados para reforçar a segurança ao longo do sudoeste dos Estados Unidos, em meio a uma forte polêmica sobre a militarização da fronteira.

Embora nos estados como Califórnia, Texas e Novo México os militares desembarquem hoje como previsto, no Arizona a chegada só ocorrerá dentro de algumas semanas.

Em Nogales, hoje, só eram vistos veículos da Patrulha Fronteiriça.

Um porta-voz da Guarda Nacional do Arizona disse que os soldados serão submetidos a exames médicos e revisão de antecedentes. Receberão ainda capacitação para os trabalhos na fronteira.

O dia 1º de agosto marca o início do desdobramento e os estados fronteiriços terão até o fim de setembro para completá-lo, segundo o Departamento de Segurança Nacional.

A demora no Arizona gerou críticas do senador republicano e ex-candidato presidencial John McCain, quem promove junto ao senador Jon Kyl, um plano para o envio de 3 mil soldados para ajudar no combate ao tráfico de drogas, armas e pessoas na fronteira com o México.

"Esta administração prometer muito, mas na hora simplesmente não cumpre", queixou-se McCain em declarações à cadeia "Fox".

"Pedimos informações (sobre o desdobramento) tanto por escrito quanto verbalmente e só nos responderam: 'em breve avisaremos'", acrescentou.

McCain e a governadora republicana do Arizona, Jan Brewer, buscam a reeleição em novembro e suas plataformas destacam a segurança fronteiriça.

O combate à imigração e o reforço da segurança na fronteira despontam como assuntos prioritários face às primárias republicanas de 4 de agosto no Arizona.

A campanha de McCain colocou anúncios na televisão e cartazes em estradas destacando seu compromisso com a segurança na fronteira sul.

Seu rival, o ex-legislador J.D. Hayworth, lembra à opinião pública que McCain foi um dos arquitetos da fracassada reforma migratória de 2007.

No total, 524 soldados serão colocados no Arizona, 250 no Texas, 224 na Califórnia e 72 no México. Outros 130 realizarão tarefas de apoio logístico.

A Guarda Nacional ajudará somente nas tarefas de logística, manutenção e inteligência, para que a Patrulha de Fronteira possa focar seus recursos na perseguição e detenção de imigrantes ilegais.

No Texas, a Guarda Nacional começou a chegar ao Vale do Rio Grande, uma área onde caiu o ingresso de imigrantes ilegais devido à maior presença da Patrulha Fronteiriça.

Mas nessa mesma região aumentou drasticamente a violência referente ao narcotráfico. Calcula-se que ao longo ano, 1,7 mil pessoas foram assassinadas em Ciudad Juárez (México), considerada uma das mais perigosas do mundo. A estimativa é que até o fim do ano se supere os 2,7 mil assassinatos de 2009.

Em 2006, o então presidente George W. Bush ordenou o desdobramento da Guarda Nacional por um período de dois anos. Da mesma forma que agora, o assunto gerou críticas de grupos pró-imigrantes e defensores dos direitos humanos.

Organizações de defesa dos direitos humanos pediram ao legislador democrata do Texas, Silvestre Reyes, que lidere uma oposição à militarização da fronteira.

Os grupos pró-imigrantes asseguram que este desdobramento é mais um gesto simbólico com forte carga político-eleitoral. Para eles, os Estados Unidos necessitam de uma reforma que tire da sombra a população clandestina.

Mais de 24 mil pessoas morreram desde 2006 no lado mexicano da fronteira devido à violência gerada pelo narcotráfico, e a segurança na região desponta como um tema de campanha também para o pleito legislativo de 2 de novembro nos EUA.

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