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01/08/2010 - 10h05

Lei contra imigrantes ilegais prejudica economia do Arizona

María Peña.

Mesa (EUA), 1 ago (EFE).- O senador do estado americano do Arizona, Russell Pearce, da cidade de Mesa, concebeu a lei SB1070 para 'asfixiar' os imigrantes ilegais, mas, paradoxalmente, a medida está deteriorando a economia da cidade e do estado.

Em vigor desde quinta-feira, embora sem seus artigos mais criticados, a lei SB1070 penaliza a presença de imigrantes ilegais no Arizona e inspirou outros estados a seguir seu exemplo.

A lei também serviu para esquentar o clima político nos Estados Unidos diante das eleições de novembro e em Mesa, a 32 quilômetros de Phoenix, está contribuindo para a decadência de dezenas de negócios.

Para um estrangeiro, a vida no Arizona se divide em antes e depois da SB1070, lei que também pune quem ajuda imigrantes ilegais.

Basta um passeio por algumas das principais ruas de Mesa para ver o impacto da recessão e da lei, que provocou o êxodo de muita gente.

Vários estabelecimentos em locais movimentados da cidade já penduram em suas portas letreiros dizendo "fechado" e grossas correntes e cadeados de aço. Em vários shoppings, só restam vagas vazias.

Segundo os opositores à lei, seu custo humano, econômico e político é muito alto, levando em conta que o Arizona tem, em tempos de recessão, um déficit fiscal de US$ 3,2 bilhões.

"Acho que legisladores como o senhor Pearce não pensam no bem-estar de seu estado. Estão usando a SB1070 como plataforma para captar votos", disse à Agência Efe a reverenda chilena Magdalena Schwartz, da Igreja Discípulos do Reino Metodista Livre, que atende imigrantes, a maioria do México.

Magdalena chegou a Mesa em 1988 e, em quase dois anos à frente da igreja, disse ter visto "horrores". Ela lembra que o caso mais extremo foi o de Alma Minerva Chacón, uma mexicana sem documentação que foi detida e deu à luz em dezembro "atada nos pés e nas mãos, como uma verdadeira criminosa, como um animal".

Sua igreja arrecadou US$ 4 mil para pagar a fiança de Alma e contratar um advogado para conseguir uma licença de trabalho, contou a reverenda.

Agora, Magdalena tenta ajudar Gloria López, uma jovem mexicana de 18 anos que emigrou com sua família há dez anos. A SB1070 lhe tira o sonho de ir à universidade e a põe em perigo imediato de deportação.

"É terrível. Só quero estudar para ajudar a minha família", declarou Gloria entre soluços. O caso dela se aplica a milhares de estudantes estrangeiros em situação ilegal.

Sentada ao lado de sua avó, Gloria Millanes, cidadã americana há 12 anos, a jovem pede ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que pressione pela legalização de estudantes como ela.

Ninguém sabe ao certo quanto custará a aplicação da SB1070. As autoridades já reservaram US$ 10 milhões para ações policiais, cifra que não inclui os custos de ampliar as prisões ou responder a possíveis processos civis.

O Centro Udall para Estudos de Política Pública da Universidade do Arizona calculou recentemente que a produtividade econômica dos imigrantes no estado, tanto legais como ilegais, foi de US$ 44 bilhões em 2004.

Mais de 30 mil estabelecimentos no Arizona têm donos latinos. Somadas, suas vendas registraram US$ 4,3 bilhões e deram emprego a cerca de 40 mil pessoas em 2002, o último ano para o qual há dados.

Caso todos os imigrantes ilegais fossem expulsos do Arizona, o estado perderia US$ 26,4 bilhões em atividade econômica, US$ 11,7 bilhões em seu Produto Interno Bruto (PIB) e 140.324 empregos, segundo o Grupo Perryman.

"Antes da SB1070 já tínhamos aqui um ambiente muito terrível, que tem nome e sobrenome: o xerife Joe Arpaio. A solução não está nas batidas, como ele acredita, mas em uma reforma migratória", defende a reverenda Magdalena.

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