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03/08/2010 - 14h14

Índia aumenta forças na Caxemira para conter onda de violência

Julia R. Arévalo.

Nova Délhi, 3 ago (EFE).- A Índia decidiu aumentar suas forças na Caxemira na tentativa de controlar a onda de violência que se apoderou da região, onde 26 pessoas morreram em protestos desde sexta-feira passada, quatro delas hoje.

Atendendo ao pedido feito ontem pelo chefe do Governo da Caxemira, Omar Abdullah, o Executivo central resolveu enviar 1,9 mil agentes de segurança à região setentrional. Os reforços chegarão ao estado em um ou dois dias, disseram fontes oficiais citadas pela agência "PTI".

Além disso, outros 3,2 mil agentes destacados dentro do estado serão deslocados ao vale da Caxemira, epicentro dos protestos que começaram em meados de junho e que se agravaram nos últimos dias.

A intensidade das manifestações já levou o Exército na Caxemira a mobilizar-se no mês passado (quando houve cerca de 15 mortos), mas não foi suficiente para conter os ânimos.

Grupos de manifestantes desafiaram novamente hoje o toque de recolher e se enfrentaram a pedradas com as forças de segurança em vários pontos de Srinagar, capital do estado indiano Jammu e Caxemira, onde escolas, bancos, instituições e empresas permaneceram mais um dia fechados.

Três jovens morreram por tiros da Polícia, que pretendia "pôr a situação sob controle" em Srinagar. Uma quarta pessoa morreu em circunstâncias similares em Kulgam, segundo fontes policiais citadas pela agência "Ians".

Outras cinco pessoas ficaram feridas nos choques registrados em várias localidades do vale, onde se concentra a população muçulmana majoritária.

A Caxemira é uma região disputada por Índia e Paquistão desde a independência dos dois países, em 1947, que já levou a duas guerras entre ambos (1948 e 1965).

Após uma série de resoluções da ONU que, desde 1948, pediam a desmilitarização e a realização de um plebiscito sobre sua adesão a Índia ou Paquistão, a região ficou dividida por uma "linha de controle" que serve como fronteira provisória desde 1972 e na qual rege um cessar-fogo desde 2003.

Embora as autoridades indianas, e o próprio Omar Abdullah, considerem a atual onda de distúrbios como "espontânea", o certo é que Syed Ali Geelani, líder da separatista Conferência Hurriyat de Todos os Partidos, repetiu nestes dias suas convocações aos protestos.

A Conferência Hurriyat costuma tirar proveito dos surtos de tensão popular que sazonalmente ocorrem no vale. O último, que se estendeu à região de Jammu, de maioria hindu e atingiu as duas comunidades, ocorreu em meados de 2008.

À frente do Governo da Caxemira desde fins de 2008, Abdullah pediu ontem reforços policiais a Nova Délhi como via para restabelecer a normalidade e buscar soluções "políticas" à crise.

Abdullah (cujo pai é ministro do Executivo central) reiterou seu pedido para revisão das leis que atribuem poderes especiais às forças de segurança indianas na Caxemira. Tais poderes permitem a atuação impune das forças e bloqueiam investigações de denúncias sobre violações dos direitos humanos.

O Governo indiano "não pode prender as mentes" do povo da Caxemira e só está "criando inimigos e ódio", advertiu Khalida Shah, tia de Abdullah e chefe da minoritária Conferência Nacional Awami, em entrevista coletiva ao término de dois dias de discussões em Délhi O Paquistão pediu hoje "moderação" à Índia, após se mostrar "seriamente preocupado com a escalada de violência" e a perda de "vidas inocentes" na Caxemira.

Islamabad reproduziu as palavras de um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para dizer que se trata de uma "preocupação coletiva" da comunidade internacional.

A Índia, reticente a qualquer tipo de mediação ou conselho sobre a Caxemira, qualificou de "gratuitas" as palavras do porta-voz de Ban Ki-moon e pediu um "esclarecimento".

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