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03/08/2010 - 19h48

Lula assume Presidência do Mercosul com desafio de consolidá-lo

San Juan (Argentina), 3 ago (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu hoje a Presidência do Mercosul com o desafio de contribuir para o processo de integração regional com sua liderança, enquanto lida com uma apertada campanha eleitoral no Brasil, cujo resultado também afetará os rumos do bloco.

"Devemos avançar até que o Mercosul seja algo do qual ninguém tenha a menor dúvida: que somos amigos na construção de um bloco político, econômico, social e cultural", disse hoje Lula, ao assumir o comando do Mercosul das mãos da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

Os históricos acordos alcançados na cúpula, realizada na cidade argentina de San Juan, em matéria de aperfeiçoamento da união aduaneira - cuja lenta negociação deu uma sensação interna de estagnação e frustração durante anos -, permitirão a Lula concentrar-se em elevar o nível do processo de integração.

O presidente, que deixará o Governo em janeiro de 2011, lembrou hoje em mais de uma oportunidade que é o presidente mais veterano do bloco, uma condição que seguramente fará valer nos cinco meses que ainda tem de poder.

Cristina o qualificou, junto a seu marido e antecessor na Presidência da Argentina, Néstor Kirchner, como o responsável por uma nova fundação do Mercosul, e o uruguaio José Mujica destacou a atitude de ambos para "deixar para trás o chauvinismo, no qual cada país se achava o centro do universo" e apostar pela integração.

Seguindo sua política conciliadora para lidar com temas complexos de alcance global, como a questão do Irã, Lula disse hoje que um de seus maiores objetivos será alcançar um acordo de associação política e comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), para o qual, segundo ele, terá que vencer as reservas da França.

Mas Lula terá que evitar que a agenda eleitoral em seu país atrapalhe os ambiciosos desafios de sua Presidência no bloco.

O Mercosul se transformou em tema de campanha desde que o candidato pelo PSDB, José Serra, criticou o organismo e assegurou que suas cúpulas "se transformaram em um espetáculo" e que não apresentam "avanços concretos", algo que hoje, à luz dos acordos alcançados, é discutível.

Serra é partidário de flexibilizar as regras do bloco para negociar acordos com terceiros países, já que entende que esta estratégia constitui uma "barreira" para que o Brasil assine novos tratados comerciais.

A ideia é compartilhada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), convencida de que Brasília chegaria mais rápido a um acordo com a UE se negociasse bilateralmente.

Pelo contrário, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, defende a integração e considera que ela daria maior capacidade de negociação aos membros do Mercosul frente a terceiros.

A discussão se desenvolve enquanto o Brasil, único membro do Mercosul com uma aliança estratégica com a UE, deve assumir o papel negociador com os 27 países-membro do bloco europeu após a reabertura das conversas, congeladas desde 2004.

"Alguns dizem que o Brasil deveria ter um acordo bilateral com a UE e isso, do ponto de vista da solidez do Mercosul, é preocupante", disse à Agência Efe o economista argentino Félix Peña, especialista em temas de integração.

Se a ideia chegasse a avançar, levaria a uma forte divisão interna do bloco sul-americano, dado que, desde sua criação, em 1991, o Mercosul se propôs a ser uma união aduaneira, algo que representa, entre outros fatores, a gestão conjunta de suas negociações comerciais.

"O que Serra está colocando em sua plataforma eleitoral é modificar o tratado constitutivo do Mercosul e retroceder a uma zona de livre-comércio. E eu o qualifiquei de retrocesso histórico", disse há duas semanas o vice-chanceler uruguaio, Roberto Conde.

Em certo sentido, os eleitores brasileiros têm em suas mãos o destino do Mercosul, mas Lula buscará despedir-se de seus parceiros com garantias de que este processo de integração seja irreversível.

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