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04/08/2010 - 10h07

Ativista é detida em 1º protesto pela legalização da prostituição na China

Marga Zambrana.

Pequim, 4 ago (EFE).- A ativista Ye Haiyan, defensora dos direitos das prostitutas na China, foi detida depois que ela e seu grupo protagonizaram a primeira manifestação em seu país pedindo a legalização do trabalho.

"A Polícia levou Ye Haiyan ontem e não retornou. Parece que está sendo reeducada. Estamos em contato com ela", disse hoje à Agência Efe, em uma conversa telefônica, Ren Jue, voluntária da ONG dirigida pela detida na cidade de Wuhan, capital de Hubei, na região central da China.

Na quinta-feira, Ye - mãe solteira e que em sua conta no Twitter se define como "trabalhadora sexual" - e uma dezena de voluntários de seu centro protagonizaram uma manifestação pública em Wuhan para pedir assinaturas para a legalização da prostituição e divulgar seu problema.

"Nós prostitutas não temos preparação escolar, depois dos 35 anos já não somos aceitas pelo mercado de trabalho, por isso estamos lutando para manter nosso emprego e levar uma vida mais estável", explicou a voluntária Ren.

A organização de Ye, aberta há cinco anos, tem o objetivo de promover a prevenção da aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis entre as prostitutas, já que a ilegalidade está favorecendo um aumento de contágios entre o coletivo, que vive na extrema pobreza, segundo Ren.

Durante seu protesto, os voluntários e Ye afirmaram que a situação de ilegalidade favorece a corrupção da Polícia, a transmissão da aids e o tráfico de mulheres e menores que são obrigadas a atuar como escravas sexuais.

Por este motivo, os voluntários expressaram suas exigências nos panfletos que entregavam, pedindo que o trabalho fosse regido pela legislação trabalhista e ligado ao sistema tributário para evitar a corrupção, garantindo o direito aos serviços médicos para frear a aids e o direito de que as prostitutas usem seu nome real, para evitar a prostituição de menores e as escravas sexuais.

Diversos sites locais, como o China Development Brief, publicaram fotos e vídeos do protesto, nos quais voluntários com sombrinhas vermelhas dialogam com os cidadãos em Wuhan.

No entanto, a Polícia obrigou Ye a parar a campanha e a falar com a imprensa sobre suas aspirações.

O protesto da ONG se produz em resposta à campanha lançada em junho por Pequim para frear o lenocínio e outros crimes menores que danificam econômica e psicologicamente o coletivo.

"A campanha está deixando as prostitutas sem esperança", disse Ye ao jornal "South China Morning Post", em declarações publicadas na terça-feira.

"Quando leio as notícias vejo que mulheres estão sendo criminalizadas em todos os cantos do país. Cobrem seus rostos com as mãos quando as humilham publicamente. Estão perdendo seus trabalhos e estão ficando sem lugares onde dormir. Por isso, decidi que não podia esperar mais (para o protesto)", acrescentou Ye.

A feminista Wu Qing, parlamentar em Pequim, disse hoje à Efe que está é a primeira vez que tem notícia de um protesto pedindo a legalização da prostituição.

"Algumas ONG começaram a pedi-la (a legalização) no final dos anos 80 e princípios dos 90, para reivindicar revisões médicas para estas mulheres", disse Wu.

Ela acrescentou que "a prostituição deveria ser considerada um emprego normal, com a condição de que essas mulheres não sejam obrigadas a isso, ou seja, não sejam escravas sexuais. Por este motivo, acho que a primeira coisa que é preciso ser feita é definir legalmente a prostituição".

Embora existam registros históricos milenares sobre a prostituição chinesa, o ofício é considerado ilegal no país desde que, em 1949, Mao Tse-tung instaurou o comunismo no país.

No entanto, a abertura econômica de 1978 favoreceu o reaparecimento do trabalho e sua expansão entre as mulheres mais pobres como uma maneira de se manter em tempos de reestruturação econômica e desemprego em massa.

Atualmente, é frequente que barbearias, casas de massagem e karaokês sejam lugares encobertos de prostituição, uma atividade vinculada com a corrupção dos funcionários comunistas e o crime organizado.

No entanto, são estas mulheres e não os mafiosos nem os funcionários comunistas, frequentemente seus principais clientes, que são detidas e humilhadas em público, como internautas chineses criticam nos fóruns de opinião.

Apenas em Pequim, a Polícia deteve em maio mais de 1.100 prostitutas e, até julho, tinha dissolvido 240 grupos dedicados à prostituição e detido 150 traficantes ou cafetões, informou o jornal "China Daily".

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