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04/08/2010 - 18h37

Calma retorna à fronteira entre Líbano e Israel

Kathy Seleme.

Beirute, 4 ago (EFE).- A fronteira entre Líbano e Israel recuperou hoje a calma após o confronto armado desta terça-feira entre os exércitos dos dois países, ao mesmo tempo em que se abriam canais de comunicação para diminuir a tensão e evitar novos incidentes.

Representantes dos Exércitos do Líbano e de Israel se reuniram hoje à noite no quartel da Força Interina da ONU no Líbano (Finul), na cidade de Naqoura, para superar a crise causada pelo embate de ontem.

Dois soldados libaneses e um jornalista da mesma nacionalidade, assim como um tenente-coronel israelense, morreram no combate de várias horas que ocorreu perto do povoado libanês de Adeise.

O confronto começou quando soldados israelenses começaram a cortar árvores em uma área que o Líbano considera como sua, além da 'linha azul' fixada pela ONU após a retirada israelense do sul do Líbano no ano 2000.

A reunião entre os representantes dos dois exércitos com as forças da Finul estava convocada para as 19h locais (13h de Brasília) e terminou já à noite, mas o conteúdo das discussões não foi passado para a imprensa.

Fontes do quartel de Naqoura disseram à Agência Efe que a reunião, a portas fechadas, foi presidida pelo comandante da Finul, o general espanhol Alberto Asarta, assistido por outros dois oficiais da força de paz.

Também participaram representantes militares de Israel e Líbano, todos reunidos em uma mesma sala com o chefe da Finul, segundo as fontes.

Em ocasiões anteriores, representantes da Finul atuaram como mediadores entre ambas as partes, porque o diálogo não era direto.

As mesmas fontes disseram que, caso haja um comunicado sobre o encontro, será divulgado amanhã.

Antes da reunião, o ministro da Informação libanês e porta-voz do Governo, Tareq Mitri, disse em entrevista coletiva esperar que o encontro em Naqoura permita "encerrar o incidente e lançar as bases de um mecanismo de cooperação".

O ministro atribuiu o incidente de ontem ao "nervosismo e ao medo" dos dois lados e confirmou que existiam conversas prévias entre Israel e Líbano para definir como seria o corte de árvores que os militares israelenses queriam fazer.

A tensão de ontem se repetiu no início desta quarta-feira quando os soldados israelenses começaram a cortar árvores no mesmo ponto onde começou o combate de terça-feira. Desta vez, a operação ocorreu sem incidentes.

Hoje, o coronel Narish Bhatt, porta-voz da Finul, afirmou que Israel estava trabalhando dentro de seu território ontem quando tentava cortar as árvores.

Segundo Bhatt, as árvores mencionadas estavam no lado israelense da linha azul, uma marca que não atua como fronteira.

A linha azul foi fixada pela ONU no ano 2000 para marcar a retirada das tropas israelenses após 22 anos de ocupação no sul do Líbano. Em alguns setores da fronteira, coincide com a "cerca técnica" fixada pelos israelenses.

No ponto do confronto armado, perto de Adeise, existe um corredor entre a linha azul e a cerca técnica, um espaço que o Líbano considera como seu.

Por isso, o porta-voz do Governo libanês insistiu hoje que a ação dos israelenses foi uma "provocação" e acusou o país vizinho de "não respeitar a soberania libanesa, nem os militares, nem os civis".

A Finul, no entanto, não considera como uma violação da soberania libanesa a mobilização das tropas de Israel entre a linha azul e a cerca técnica, o que deixa aberta a possibilidade de conflitos como o de ontem.

A missão da ONU admite que o Governo libanês "tem reservas sobre a linha azul porque a considera parte do território libanês", segundo Bhatt, e "os israelenses também têm reservas sobre algumas partes da linha azul".

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