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04/08/2010 - 11h00

Destruições dificultam ajuda aos afetados pelas chuvas no Paquistão

Igor G. Barbero.

Islamabad, 4 ago (EFE).- A destruição de infraestruturas básicas pelas enchentes que alagaram boa parte do Paquistão está complicando os trabalhos de assistência às 3,5 milhões de pessoas afetadas pela catástrofe.

O principal rio do país, o Indo, continua transbordando em novas regiões, agora já na província sudeste de Sindh, onde até 40 cidades ficaram completamente inundadas nas últimas horas, explicou hoje à Agência Efe um porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA), Ahmad Kamal.

"Estamos enfrentando uma situação muito crítica", descreveu a fonte. Segundo o porta-voz, equipes de resgate, em helicópteros, estão lançando coletes salva-vidas e barcas para evitar o aumento do número de mortos, situado em 951, segundo a NDMA, e até 1,5 mil, de acordo com outras fontes oficiais.

Enquanto as tarefas de evacuação prosseguem com condições meteorológicas adversas em várias partes do país e previsões de chuvas intensas para os próximos dias, entre 3,5 milhões e 4 milhões de pessoas aguardam ajuda, especialmente nas províncias de Khyber-Pakhtunkhwa e Punjab, disse Kamal.

Mas a chegada de assistência aos afetados pelas chuvas se depara com inúmeras complicações num país em desenvolvimento e carente de recursos que sofreu as piores inundações em quase um século.

Com dezenas de pontes destruídas, importantes estradas interditadas e várias outras infraestruturas gravemente danificadas, autoridades, Exército e organismos humanitários lutam contra o tempo.

Em comunicado, o Exército informou sobre a reparação de algumas poucas estradas e pontes, o transporte de alimentos e remédios em três helicópteros e o estabelecimento de pontos de atendimento médico (que já ajudaram 400 pessoas) em várias áreas de Khyber-Pakhtunkhwa e nas demarcações tribais vizinhas.

"As prioridades de assistência imediata continuam sendo o fornecimento de alimentos, água potável, tendas e serviços médicos. É necessário restaurar o acesso com a reparação das vias e redes de comunicações danificadas", alerta em comunicado o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

"A experiência em Khyber-Pakhtunkhwa, Baluchistão e Punjab demonstrou com clareza que, basicamente, as Administrações locais não têm o preparo suficiente para lidar com um desastre dessa magnitude", criticou hoje em editorial o diário "Dawn", o principal de língua inglesa do Paquistão.

Segundo a imprensa local, a falta de preparo das autoridades se soma a disputas entre os Governos central e provinciais, especialmente o de Punjab, para ganhar pontos num cenário de instabilidade política em que eleições antecipadas não estão fora dos planos.

Em declarações à Efe, o analista político paquistanês Cyril Almeida observa que "a escala da tragédia é muito alta e, por isso, (a gestão da mesma) teria sido difícil para qualquer Administração". No entanto, ele ressalta que, se tivesse havido um melhor sistema de alarme, "teria sido possível reduzir o impacto".

A fonte lembrou que o noroeste paquistanês, a zona mais danificada pelos estragos das chuvas, já estava numa posição vulnerável, com centenas de milhares de pessoas deslocadas pelas operações do Exército contra a insurgência talibã no território.

No entanto, Almeida louvou a rápida resposta da comunidade internacional, que, em suas palavras, parece querer evitar que organizações extremistas religiosas aproveitem o momento para ganhar os corações do povo, algo que já aconteceu após o terremoto na região da Caxemira em 2005.

Enquanto a tragédia humanitária persiste no país, a violência segue seu curso habitual no Paquistão.

Em Peshawar, capital de Khyber-Pakhtunkhwa, um atentado suicida contra instalações das forças de segurança deixou pelo menos um morto e três feridos, segundo uma fonte policial consultada pela Efe. Já a emissora privada "Express TV" elevou para quatro o número de mortos e para nove o de feridos.

E, paralelamente à tragédia das chuvas, a portuária metrópole de Karachi (sul), que não se viu afetada pelas inundações, vive momentos de grande tensão por uma nova onda de violência de caráter étnico-político, na qual morreram pelo menos 60 pessoas desde segunda-feira.

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