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04/08/2010 - 06h22

Erdogan boicota reunião e aumenta crise com Exército turco

Istambul, 4 ago (EFE).- O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, decidiu boicotar nesta terça-feira a última e mais importante sessão do Conselho Supremo Militar do país (YAS) por diferenças com os comandantes do Exército sobre as promoções de oficiais e gerais, informou a rede televisiva "NTV", ampliando a crise entre Governo e Forças Armadas.

Com sua ausência, o líder turco impedirá que essas ascensões possam ser aprovadas, devido à falta de sua assinatura no documento que deve ser enviado ao gabinete do Presidente da República para sua ratificação, algo que aumenta ainda mais a crise entre o Governo islamita moderado e a cúpula militar, autoproclamada defensora do laicismo e nacionalismo oficiais.

Embora a reunião do YAS, que começou no domingo, se tratasse da sessão anual regular, foi considerada uma das reuniões militares mais delicadas das últimas décadas na Turquia.

Isso se deve à ordem de captura que pesa sobre 102 altos comandantes militares dentro da investigação sobre o suposto plano golpista Balyoz ("Maço"), 11 dos quais - com grau de general - deviam receber uma promoção automática este ano.

Além disso, o fiscal Zekeriya Öz, investigador da trama golpista Ergenekon, chamou estes dias para declarações o segundo chefe do Estado-Maior, Hassan Igsiz, que participa da reunião do YAS e que também devia escalar postos na cúpula das Forças Armadas, que será renovada este mês.

Estava previsto que o comandante do Exército, Isik Kosaner, fosse designado chefe do Estado-Maior em substituição ao general que até agora desempenhava essa função, Ilker Basbug, que passará para a reserva.

Outro dos pontos de atrito é a promoção do general Saldiray Berk, comandante do Terceiro Exército, à qual se opõe tanto o Governo de Erdogan como o presidente da República, Abdullah Gül, já que foi acusado por um fiscal em uma trama golpista paralela ligada à Ergenekon.

Embora as reuniões entre os generais e o Governo aconteçam no mais estrito segredo, alguns jornais turcos citam nesta quarta-feira rumores sobre uma possível renúncia da cúpula militar, um fato sem precedentes na história política da Turquia.

O Exército turco tem um longo histórico de intervenções golpistas nos 60 anos de democracia na Turquia, tendo derrubado quatro Governos, em 1960, 1971, 1980 e 1997.

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