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04/08/2010 - 16h31

Ex-presos cubanos defendem status de refugiados políticos na Espanha

Madri, 4 ago (EFE).- O status de refugiado político é o melhor trunfo para enfrentar a "deportação" de Cuba e reivindicar a libertação dos presos políticos que ainda estão na ilha, disseram hoje à Agência Efe vários dissidentes libertados pelo Governo de Raúl Castro e recebidos pela Espanha.

"Não acredito que as autoridades espanholas me negarão essa condição (de refugiado político), pois sabem que viemos da prisão", afirmou à Efe o cubano Antonio Ramón Díaz Sánchez.

Sánchez é um dos 20 dissidentes que estavam presos em Cuba e que chegaram à Espanha nas últimas semanas, depois de serem libertados graças aos acordos alcançados entre o Governo cubano e a Igreja Católica, com ajuda da diplomacia espanhola, sobre a libertação de um total de 52 prisioneiros políticos antes de novembro.

Todos eles pertencem ao grupo de 75 dissidentes presos em 2003 por subversão e ataques contra a revolução, na onda de repressão conhecida como "Primavera Negra".

Sánchez ressaltou que, da mesma forma que os outros dissidentes libertados e amparados na Espanha, tem "evidências suficientes" para que "não haja dúvidas" sobre seu status de refugiado político.

"Se a Espanha não nos considerasse refugiados políticos, estaríamos aqui como criminosos comuns, pois não dispomos de nenhum documento que credencie a anistia ou o perdão", assegurou o dissidente, membro do Movimento Cristão de Libertação e condenado a 20 anos de prisão.

Sánchez ressaltou sua rejeição à chamada "proteção internacional assistida" oferecida a eles pelo ministério do Interior espanhol, para regularizar sua situação na Espanha.

O ex-preso cubano se referiu também ao possível efeito destas libertações na política comum da União Europeia (UE) para a ilha.

A política comum, adotada em 1996, condiciona qualquer acordo com o regime castrista a avanços prévios no respeito dos direitos humanos e no caminho para a democratização.

O Governo espanhol, por outro lado, é partidário do diálogo com o cubano sem condições prévias.

"Nós não vamos dizer à UE o que ela tem que fazer. Essa posição comum foi implementada pela UE para defender as liberdades fundamentais em Cuba. A pergunta é: existem liberdades fundamentais em Cuba? A resposta evidentemente é não", disse Sánchez.

Segundo o dissidente, o bloco europeu deveria lembrar a mensagem lançada por Raúl há poucos dias, "quando ameaçou a oposição política e disse que em qualquer momento a Primavera Negra de 2003 poderia se repetir".

No mesmo sentido se referiu Arturo Pérez de Alejo, que também foi condenado a 20 anos de prisão em 2003.

Alejo agradeceu ao Governo espanhol e à Igreja Católica cubana "por interceder para que a libertação fosse alcançada", mas lembrou que o regime de Raúl "está manipulando a situação".

"Esta libertação e outras mudanças são sinais para que a UE levante a posição comum. No entanto, o Governo cubano tem que fazer muitas coisas ainda para que o bloco dê um passo deste tipo", afirmou Pérez.

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