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06/08/2010 - 01h35

Falta de propostas marca debate morno entre candidatos à Presidência

São Paulo, 5 ago (EFE).- Os principais candidatos à Presidência protagonizaram uma morna discussão sobre os problemas nacionais no primeiro debate televisivo para as eleições de 3 de outubro, marcado pela escassez de propostas de Governo.

O debate, organizado pela rede "Bandeirantes", teve a participação da candidata governista, Dilma Rousseff (PT), e de José Serra (PSDB); Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Dilma e Serra, os melhores colocados nas pesquisas de intenções de voto, polarizaram uma discussão na qual se falou muito de programas sociais, mas muito pouco sobre economia e nada sobre relações internacionais.

"Nos impostos, defendo uma reforma tributária que não encareça os investimentos", disse Dilma, favorita nas enquetes com uma vantagem de entre cinco e dez pontos sobre Serra, segundo as duas pesquisas divulgadas na última semana.

Serra ressaltou que "o Brasil segue com a maior taxa de juros do mundo" e propôs uma reforma tributária que crie benefícios para os consumidores que pagam impostos, um programa semelhante ao que implantou no estado de São Paulo quando foi governador.

Ao falar da luta contra a insegurança, Serra disse que, se for eleito, criará o Ministério de Segurança, enquanto Dilma assegurou que optará pelo modelo das Unidades de Polícia Pacificadora, programa implantado pelo Governo estadual em favelas do Rio de Janeiro.

Dilma e Serra trocaram farpas sobre as gestões de seus partidos no poder, enquanto a candidata do PV ficou relegada ao segundo plano, e Plínio de Arruda, de 80 anos, chamou atenção com seus comentários irônicos sobre a política brasileira e seus rivais.

Plínio, que participou, em 1980, da fundação do PT (ao lado de Lula) e deixou o partido em 2005, em protesto pelos graves escândalos de corrupção, é desde então um forte crítico do Governo e de seus ex-companheiros de militância.

O candidato do PSOL, que praticamente não aparece nas pesquisas sobre intenções de voto, se apresentou esta noite como a única alternativa real para as próximas eleições.

"Imagino que estão surpreendidos por que antes eram só três e apareceu mais um", disse Plínio, e em seguida afirmou que a imprensa "esqueceu minha candidatura", o que atribuiu ao fato de seu partido querer apresentar uma alternativa ao "modelo de desigualdade" vigente.

O candidato fez o auditório rir ao chamar Serra de "hipocondríaco" pois dedicou a maior parte do tempo de debate a falar sobre saúde, uma de suas áreas preferidas (Serra foi ministro da pasta no Governo Fernando Henrique), enquanto Marina, que como ele também foi militante do PT, o chamou de "eco-capitalista".

"O senhor defende a ecologia até conseguir lucro", disse a candidata do PV, que esteve apagada no debate.

No entanto, Plínio guardou o melhor de sua munição para Dilma, a quem disse: "considero suas respostas absolutamente insatisfatórias" e comentou com ironia que a candidata de Lula como se apresente como "mãe dos pobres".

Dilma, que ao contrário de seus rivais não tem nenhuma experiência em campanhas políticas e participou do primeiro debate eleitoral de sua vida, esteve bastante nervosa, o que foi aproveitado ao máximo por seus rivais.

Durante a campanha estão previstos outros três debates de televisão, nos dias 12, 28 e 30 de setembro, e um pela internet, marcado para 18 de agosto e promovido pelo portal "UOL" e pelo jornal "Folha de São Paulo", e para o qual Plínio não foi convidado.

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