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07/08/2010 - 20h27

Venezuela ignora denúncia de Uribe e foca em reconciliação com Colômbia

Bogotá, 7 ago (EFE).- O Governo da Venezuela ignorou hoje o processo de Álvaro Uribe contra Hugo Chávez no Tribunal Penal Internacional (TPI) e sinalizou o interesse de levar adiante a reconciliação com a Colômbia, cuja Presidência é agora comandada por Juan Manuel Santos.

Só a presença hoje do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, em Bogotá para prestigiar a cerimônia de posse de Santos é interpretada como um gesto de que o Governo do venezuelano Hugo Chávez busca trabalhar com Santos para restabelecer as relações bilaterais - rompidas desde o mês passado e congeladas desde agosto de 2009.

"É uma coisa de ódio que queremos deixar no passado", disse Maduro à Agência Efe sobre os processos interpostos pelo advogado de Uribe, Jaime Granados, contra Chávez perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) e contra a Venezuela perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Maduro esclareceu que "nunca" cogitou não viajar à Colômbia após saber na noite de ontem que o advogado de Uribe apresentou denúncias no TPI, com sede em Haia, e na CIDH, localizada em Washington.

"Agora o que vem para a Colômbia e Venezuela são coisas positivas", acrescentou Maduro, ao anunciar que ainda hoje deve se reunir com a nova chanceler colombiana, María Ángela Holguín.

As relações Bogotá-Caracas estão rompidas desde 22 de julho por decisão de Chávez, quem considerou uma "agressão" a Colômbia denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) que há guerrilheiros colombianos em território venezuelano.

Santos manteve silêncio até o momento sobre a ruptura colombo-venezuelana, mas Holguín, sua chanceler, comentou nesta sexta-feira à Efe que estava otimista quanto à presença de Maduro em Bogotá.

O próprio Chávez indicou ontem, após se reunir em Caracas com Luiz Inácio Lula da Silva, que o colega brasileiro levava "uma missão" para Bogotá, sem mencionar do que se tratava, mas previsivelmente relacionada à crise Bogotá-Caracas.

"Só tenho palavras positivas. Depois falarei mais com o presidente Santos", expressou hoje Lula aos jornalistas ao sair do hotel na capital colombiana onde estava hospedado.

O secretário-geral da Unasul, o ex-líder argentino Néstor Kirchner, que busca mediar o conflito entre Colômbia e Venezuela, se reuniu com Santos na sexta-feira à tarde, segundo fontes da delegação que o acompanha, citadas pela agência estatal de notícias argentina "Telam", que não informaram sobre o resultado da reunião.

Vários dos presidentes que foram a Bogotá para participar da posse de Santos coincidiram hoje no desejo de que as relações entre Colômbia e Venezuela se restabeleçam o mais rápido possível.

"Por respeito ao presidente entrante (da Colômbia), é preciso dar-lhe tempo para que se assente e procure restabelecer pela via bilateral um bom ânimo com a Venezuela", disse a governante da Costa Rica, Laura Chinchila, em entrevista à Efe.

Por sua vez, o líder mexicano, Felipe Calderón, assinalou aos jornalistas que está "à espera do que possa acontecer" nas tarefas diplomáticas para solucionar a crise em questão.

Tal como fez ontem em sua chegada a Bogotá, o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, voltou hoje a oferecer seus bons ofícios para buscar caminhos que ajudem a superar essa crise.

"Se de algo serve nosso capital político, fazemos votos para conseguir essa aproximação", assinalou Funes.

Na mesma linha, o chefe de Estado da Guatemala, Álvaro Colom, sustentou que a visita de Maduro "é um sinal positivo e esperançoso", em entrevista à rádio "RCN", expressando, porém, confiança no papel do TPI para julgar a denúncia contra Chávez.

"Os dois países estão em seu direito de se defender e a melhor forma que têm para fazê-lo é por meio da verdade. E aí será o Tribunal Penal Internacional que deverá decidir", sustentou.

Até a senadora opositora colombiana Piedad Córdoba, conhecida por seus trabalhos de mediação com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), deu as boas-vindas a Maduro em sua conta na rede social Twitter, qualificando-o de "chanceler da paz".

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