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08/08/2010 - 21h47

Santos e Chávez se reunirão na Colômbia para restabelecer relações

Esther Rebollo.

Bogotá, 8 ago (EFE).- O novo Governo colombiano começou com os melhores presságios, ao pactuar neste domingo com a Venezuela uma reunião entre os presidentes Juan Manuel Santos e Hugo Chávez, a fim de restabelecer as relações rompidas entre os dois países durante a era de Álvaro Uribe.

Os chanceleres da Colômbia, María Ángela Holguín, e da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciaram, após uma reunião de mais de três horas, que Santos e Chávez terão na próxima terça-feira em Bogotá um encontro, o primeiro passo para resolver essa crise histórica entre as duas nações vizinhas.

O fato de que o anúncio tenha sido feito um dia depois da posse de Santos faz entrever um Governo mais conciliador que o de Uribe, que durante sua gestão não só viu como as relações com a Venezuela se rompiam, mas também com outro vizinho, o Equador.

"O presidente Santos procura um diálogo franco e direto com a Venezuela. Hoje acho que o chanceler Maduro e eu demos esse primeiro passo com um diálogo franco e direto com o objetivo de restabelecer as relações, relações em um marco de transparência e franqueza", disse María Ángela após a longa reunião.

Em declarações aos jornalistas, a nova chanceler acrescentou que "o segundo passo será dado pelos presidentes na terça-feira com uma reunião na Colômbia".

"Quero reiterar que foi muito bom diálogo (...), onde a transparência e a franqueza é o que sobressaiu e isso nos deixa muito satisfeitos", disse.

Por sua vez, o chanceler venezuelano disse: "Realmente estou muito satisfeito da forma como conversamos, dos temas que começamos a trabalhar e como dissemos que vamos atuar de maneira transparente".

Maduro reiterou que terça-feira, ao meio-dia, na Colômbia, os presidente Chávez e Santos "terão a possibilidade de conversar e de tomar as decisões que favoreçam ao maior nível as relações entre os dois países".

Após se tornar público o anúncio, o presidente Santos evidenciou sua confiança de que os laços com a Venezuela serão restaurados.

"Eu espero que dessa reunião possamos tirar conclusões que nos levem a normalizar as relações entre os dois países", asseverou o novo presidente colombiano.

Chávez rompeu em 22 de julho as relações com a Colômbia depois que o Governo de Uribe denunciou perante a Organização dos Estados Americanos (OEA) que a Venezuela abrigava grupos guerrilheiros dentro de suas fronteiras.

Apesar de Chávez ter feito esse anúncio formal há menos de um mês, as relações diplomáticas e comerciais estavam congeladas desde o ano passado devido às divergências da Venezuela por causa de um acordo militar que a Colômbia assinou com os Estados Unidos, mas sobretudo por causa dos choques pessoais que Chávez e Uribe mantiveram nos últimos anos.

Aquela paralisação dos laços provocou a perda de dezenas de milhares de empregos na fronteira, assim como uma grande queda das exportações colombianas para a Venezuela.

Após esses graves incidentes será a chanceler María Ángela a encarregada de levar adiante esta crise com um aval: sua experiência como embaixadora na Venezuela entre 2002 e 2004.

Perante estes fatos, o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, que também participou da reunião de María Ángela e Maduro, expressou sua satisfação.

"Hoje tenho uma profunda satisfação de ter participado de uma reunião exemplar, profundamente democrática, com clara qualidade integracionista entre os irmãos chanceleres e representantes de Colômbia e Venezuela", disse o ex-presidente da Argentina e mediador nesta crise.

Kirchner insistiu em que hoje foi testemunha de um "verdadeiro exemplo de responsabilidade" por parte dos dois Governos e de seus chanceleres.

É que a mostra de boa vontade do Governo de Santos se uniu às surpreendentes declarações de Chávez, nas quais pediu à guerrilha colombiana "demonstrações contundentes" que quer a paz e que libertem os sequestrados.

"Estamos em um novo momento na busca da paz. A guerrilha colombiana não tem futuro pela via das armas", enfatizou, em alusão às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao Exército de Libertação Nacional (ELN).

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