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09/08/2010 - 14h24

Depoimento de Netanyahu sobre ataque à frota humanitária desperta críticas

Jerusalém, 9 ago (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, suscitou hoje uma virulenta onda de críticas após responsabilizar indiretamente seu ministro da Defesa, Ehud Barak, e o Exército israelense pelos trágicos resultados do ataque à frota humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza.

Em seu depoimento na Comissão Turkel, encarregada de investigar o ataque que custou a vida de nove ativistas turcos em 31 de maio, Netanyahu disse que havia incumbido ao Exército os aspectos técnicos do ataque e que as perguntas deveriam ser feitas a Barak.

A função dos políticos é "definir a política a ser seguida", enquanto "o Exército decide como executá-la", "essa é a divisão de trabalho", respondeu o premiê ao ser questionado pelo presidente da Comissão, o ex-juiz supremo Yaakov Turkel, sobre se foi o Exército o que decidiu o tipo de operação militar.

"Esse é o procedimento aceitável", indicou o primeiro-ministro, quem testemunhou durante três horas e meia, uma parte em público e outra a portas fechadas, sobre os aspectos secretos relacionados à segurança.

Netanyahu foi o primeiro político israelense a prestar depoimento na Comissão Turkel, da qual fazem parte como observadores estrangeiros o norte-irlandês William David Trimble, Prêmio Nobel da Paz, e o canadense Ken Watkin, ex-promotor-geral do Exército do Canadá.

A Comissão foi criada em meados de junho após pressões internacionais suscitadas pelo incidente da frota humanitária, que pouco depois levaram também Israel a suavizar o bloqueio de quatro anos imposto à Faixa de Gaza.

Os nove ativistas mortos estavam a bordo da embarcação "Mavi Marmara", o maior dos seis navios com centenas de ativistas que tentavam romper o bloqueio e levar ajuda humanitária à população de Gaza.

Os fatos ocorreram em águas internacionais justo quando Netanyahu estava nos EUA para reunir-se com o presidente, Barack Obama - encontro este que teve de ser cancelado.

"Queria que houvesse uma única pessoa", respondeu o primeiro-ministro à Comissão, diante da qual também insistiu que, em reunião prévia a sua viagem com os sete ministros mais importantes do Governo, só se tocaram os aspectos "diplomáticos" e "midiáticos", mas que "não houve uma análise profundo" da situação.

O principal partido da oposição, Kadima, considerou que com seu testemunho "Netanyahu enterrou a imagem internacional de Israel e permitiu que os organismos de segurança se transformem em um saco de boxe".

"No momento da verdade reparte a culpa entre outros, e demonstra dia após dia que talvez seja o primeiro-ministro mas não é quem dirige o Estado de Israel", acrescenta a formação.

O deputado Magali Wahabe, do mesmo partido liderado pela ex-chanceler Tzipi Livni, acredita que "Netanyahu não se acostumou ainda à ideia de que ele é o primeiro-ministro e novamente baixa a cabeça para dizer 'não sabia', 'não escutei', tentando desviar a responsabilidade".

Um significativo episódio que também criou polêmica sobre a responsabilidade de Netanyahu foi quando ele disse não saber que uma comissão de urbanismo aprovaria a construção de 1,6 mil casas em uma área ocupada de Jerusalém, justo quando o vice-presidente americano, Joe Biden, visitava Israel.

A aprovação da construção de novos assentamentos deu lugar à pior crise diplomática entre os dois históricos aliados.

Barak, que amanhã deporá na mesma comissão, não reagiu às declarações do premiê, mas um de seus correligionários, o deputado Eitan Cabel, avaliou que "Netanyahu não se conscientizou de que o povo de Israel espera dele que lidere e tome as decisões".

Por causa das críticas, o Escritório do Primeiro-ministro divulgou na primeira hora da tarde um comunicado no qual assegura que, como chefe de Governo, "a responsabilidade geral recai nele, tanto se está em Israel como se no exterior".

E, contrariamente ao que disse na comissão por amanhã, assegura que, antes de viajar para Washington, os sete ministros de segurança analisaram as possíveis consequências do ataque.

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