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09/08/2010 - 15h43

Eleições em Ruanda transcorrem em normalidade, apesar de denúncias

Kigali, 9 ago (EFE).- Apesar das denúncias de repressão, a segunda eleição presidencial em Ruanda desde o fim do genocídio de 1994 transcorre hoje em normalidade com alta participação dos cidadãos, que desde cedo formaram longas filas em frente aos colégios eleitorais.

Mais de 5 milhões de eleitores estavam inscritos para votar no pleito de hoje, que decidirá o governante de Ruanda para os próximos sete anos, em substituição ao atual líder do país, Paul Kagame.

À frente da pequena nação centro-africana desde 2000, Kagame ressaltou hoje que "o processo eleitoral de Ruanda foi muito democrático" durante o discurso que proferiu numa escola no abastado distrito de Kiyovu, na capital Kigali.

"O povo de Ruanda compareceu livremente (às urnas) e se expressou de várias maneiras" disse hoje Kagame. "Os resultados falarão por si sós".

Os mais de 16 mil colégios eleitorais abriram suas portas às 6h local (1h de Brasília) e fecharam às 15h (10h de Brasília), monitorados por cerca de 1,5 mil observadores.

A oposição tachou o presidente de ditador, após assassinatos e detenções de vários membros opositores, cometidos nos meses prévios às eleições presidenciais, além da suspensão de dois jornais e a misteriosa morte de um jornalista crítico ao Governo de Kagame.

Segundo os opositores de Kagame e vários grupos de defesa dos direitos Humanos, o atual chefe de Estado criou um ambiente em que é impossível surgir uma oposição forte e unida, mas Kagame se defendeu hoje, assegurando que não é seu papel criar esta oposição.

"Querem uma oposição que eu tenha criado ou querem uma oposição que surja de forma natural, em um ambiente propício para que isso ocorra?", disse Kagame. "Não me sinto responsável daquilo do que me acusam os críticos".

Kagame, que em 1994 liderava a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) quando a guerrilha - agora transformada em partido político - pôs fim ao genocídio que causou a morte de mais de 800 mil tutsis e hutus, é considerado por muitos ruandeses como o salvador do país.

Desde que governa Ruanda, ele introduziu estritas leis para, segundo o Governo, "tentar evitar que ocorra um massacre como o de 1994", mas, para os analistas, essa é apenas uma estratégia que pretende reprimir a oposição e que expõe o nervosismo e a insegurança do partido no poder frente às eleições.

Por outro lado, os analistas também assinalam que Kagame não pretende aplicar um resultado arrasador nas urnas, tal como fez em 2003, quando venceu com mais de 95% dos votos. Segundo esses analistas, se isso ocorresse novamente, evidenciaria não só a fraqueza dos opositores, mas também a falta de opções democráticas.

No entanto, prevê-se uma vitória arrasadora de Kagame, cujo Governo propiciou um intenso desenvolvimento econômico do país durante seu último mandato.

"Todo o povo de Ruanda tem comida na mesa. O importante agora é continuar fortalecendo as instituições, impulsionando o papel da mulher e assegurando que todos tenham acesso à educação e à saúde pública", declarou hoje Kagame.

Após conseguir que a renda da família média ruandesa triplicasse desde que assumiu o poder, após o genocídio de 1994, seu Governo indica que, para 2020, Ruanda terá se transformado num país com população de renda média.

Apesar dos grandes avanços, as dificuldades continuam e menos de 10% dos ruandeses possuem energia elétrica em casa. Cautelosos empresários dizem que este pequeno país sem saída para o mar tem pouco a oferecer como mercado ou fornecedor de recursos naturais.

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