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09/08/2010 - 16h16

Líderes enfatizam importância de integração da A.Latina para futuro da região

Jorge Figueroa.

Montevidéu, 9 ago (EFE).- A América Latina está "nos alvores" da década da "grande oportunidade", mas os países devem contribuir no processo de integração para "juntos ser mais soberanos", destacaram hoje o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, e o da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), José Fernández Estigarribia.

Iglesias e Estigarribia participaram do encontro "O sonho da integração Latino-Americana 50 anos depois", em comemoração do 50º aniversário da Aladi, que reuniu em Montevidéu políticos, legisladores e analistas de vários países da região, por causa do meio século transcorrido desde o início desse processo.

A região é "mais sábia" que 20 anos atrás e tem "grande experiência" para capitalizar "o que se deve fazer e como fazê-lo" em matéria econômica, disse Iglesias.

Mas, além disso, os países latino-americanos têm "um dividendo espetacular" no preço internacional das matérias-primas, por isso estão diante de "uma grande oportunidade", acrescentou o secretário-geral.

A Aladi está imersa na "integração silenciosa" e "não participa das grandes decisões", mas "vela pelo cumprimento eficiente do respaldo jurídico de inúmeras resoluções políticas que se tomam em outros âmbitos", enfatizou Estigarribia, por sua vez.

O processo latino-americano de integração começou em 1960 com a criação da Associação Latino-Americana de Livre-Comércio (Alalc) e teve na Aladi sua continuidade histórica e jurídica, com a assinatura em 12 de agosto de 1980 do Tratado de Montevidéu que lhe deu origem.

Essa instituição multilateral é integrada por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e tem sua sede permanente em Montevidéu.

Iglesias alertou sobre a forma de "mitigar os riscos" da crise internacional e sortear as "turbulências" da economia mundial.

"Isso é possível. Fortalecer os organismos regionais é uma das principais formas", disse, frente a uma plateia de políticos, legisladores e economistas de vários países.

O secretário-geral ibero-americano pediu a todos para "agir com muito pragmatismo" e "não tentar dar passos mais longos que as pernas". "Muitas vezes copiamos modelos europeus", complementou.

Em sua opinião, é preciso "aprofundar a infraestrutura e as empresas regionais, ampliar a cooperação financeira e, com isso, diminuir os riscos no processo de crescimento e desenvolvimento".

Além disso, Estigarribia reconheceu que a "visão pessimista" de "alguns políticos e empresários" sobre o processo ocorre porque "não se avançou com devida profundidade no caso das integrações formais, especialmente na América do Sul".

Uma das razões para essa pouca dinâmica é a "falta de coragem suficiente" e "interesses corporativos" para enfrentar as assimetrias entre os países grandes, médios e pequenos, considerou o secretário-geral.

No mesmo encontro, o presidente do Uruguai, José Mujica, destacou que a região teve "frustrações, retrocessos e algumas quedas" no processo durante as últimas cinco décadas, mas assinalou que a Aladi "manteve acesa a chama" da vocação integracionista.

"Se não caminhamos mais rápido é porque não pudemos", afirmou o governante, que reivindicou maior integração "da cultura e da inteligência". Para ele, o que até algum tempo atrás era o "sonho da integração", agora se tornou "a angústia de ficar unidos ou sofrer".

Mas, segundo Mujica, a integração ainda não beneficiou as camadas mais pobres. "Ainda é um fenômeno de elite, de intelectuais, porque os partidos políticos falham em transmitir às massas (a mensagem de) que nesses processos (de integração) está o futuro de nossos povos".

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