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10/08/2010 - 08h47

Depois de pedir desculpas, Japão promete devolver peças históricas

Jairo Mejía.

Tóquio, 10 ago (EFE).- Japão pediu hoje perdão a Coreia do Sul pelo sofrimento causado durante a ocupação japonesa da Península da Coreia entre 1910 e 1945, a poucos dias do centenário da anexação.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, expressou o "profundo remorso" pelo dano causado ao povo sul-coreano durante o mandato imperial japonês e se comprometeu a devolver peças do patrimônio cultural coreano que foram tomadas durante a colonização.

"O povo da Coreia do Sul foi privado de sua nação e sua cultura, e seu orgulho étnico foi profundamente danificado por um mandato colonial que ia contra sua vontade", indica uma declaração aprovada hoje pelo Governo japonês.

A data do pedido de desculpa foi escolhida para preceder ao centenário da anexação japonesa, em 29 de agosto, e à comemoração na Coreia do Sul do 65º aniversário do fim da ocupação japonesa, que coincide com a rendição de Tóquio na Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 15 de agosto.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, acolheu positivamente, embora com fragilidade, a declaração de Kan e instou a transformar suas palavras em fatos nos temas que ainda restam pendentes após os 36 anos de ocupação, informou a agência local "Yonhap".

O reconhecimento do Governo japonês tem como objetivo fortalecer os laços com o vizinho, um país com o qual cada vez tem mais negócios, apesar das tensões e os receios ainda latentes após as décadas de submissão à autoridade imperial japonesa, que, por exemplo, proibiu o idioma coreano.

O texto tem a intenção de construir laços "orientados rumo ao futuro" e enfatiza a importância das relações entre Japão e Coreia do Sul pelo bem da paz e a prosperidade na região.

Anteriormente, os ex-primeiros-ministros Tomiichi Murayama, em 1995, e Junichiro Koizumi, em 2005, pediram desculpas pelo passado bélico do Japão na Ásia com palavras semelhantes, mas esta é a primeira vez que a desculpa se dirige especificamente a Coreia do Sul.

Aqueles comunicados, emitidos por ocasião dos 50º e 60º aniversário da rendição japonesa, reconheciam o papel colonialista do Japão e pediam perdão pelo dano e sofrimento causados, embora sem mencionar nenhum país concretamente.

Apesar da ocupação da Península de Coreia na primeira metade do século 20 compreendeu o que agora são os territórios da Coreia do Sul e do Norte, a nova declaração não há menção expressa ao regime comunista de Kim Jong-il.

O Governo de Tóquio prometeu entregar "em um futuro próximo" peças históricas tomadas pela Península de Coreia, como reivindica Seul.

Entre estas uma coleção de 167 livros sobre protocolo real do período da dinastia Joseon, uma linhagem que governou Coreia desde o século 14 até o início da ocupação japonesa.

A coleção, que permanece sob a custódia da Agência Imperial Japonesa, foi reivindicada por grupos civis, historiadores e organizações budistas sul-coreanas, e está reconhecida pela Unesco por seu valor histórico.

A futura devolução destes documentos é significativa, já que a Coreia do Sul tinha renunciado reclamá-los oficialmente ao assinar um acordo em 1965 com Tóquio para obter outras compensações pelos danos ocasionados durante a ocupação.

Além disso, Kan prometeu que o Japão continuará cooperando com a Coreia do Sul em assuntos humanitários, como os esforços para recuperar os restos mortais dos coreanos que morreram durante o controle japonês da Península de Coreia.

Apesar do passo dado hoje por Tóquio, ainda restam demandas a serem resolvidas entre a Coreia do Sul e o Japão, como o assunto das escravas sexuais coreanas para os soldados do Exército Imperial japonês antes e durante a Segunda Guerra Mundial e os atritos territoriais como a ilhota de Dokdo (Takeshima).

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