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10/08/2010 - 11h26

ONU aponta que 1.271 civis morreram no 1º semestre no Afeganistão

Cabul, 10 ago (EFE).- No primeiro semestre deste ano 1.271 civis morreram por causa do conflito afegão, conforme relatório divulgado hoje pela missão da ONU no Afeganistão (Unama), que atribui a maior parte das mortes à insurgência.

O número representa um aumento de 21% com relação às baixas registradas no mesmo período em 2009.

"Durante os últimos seis meses, 3.268 civis morreram ou ficaram feridos neste conflito", afirmou o chefe da missão da ONU no Afeganistão (Unama), Staffan de Mistura, na entrevista coletiva de apresentação do relatório.

Os talibãs e outros grupos insurgentes mataram 920 pessoas (72% do total), enquanto as tropas afegãs e internacionais acabaram com as vidas de 223 civis (18%) e outras 128 mortes não tiveram atribuição.

Das mortes atribuídas aos insurgentes, que subiram 48% com relação ao mesmo semestre de 2009, ao menos 374 pessoas perderam a vida por explosões de artefatos, enquanto 183 pereceram em ataques suicidas e outras tantas em assassinatos e execuções.

Os insurgentes recorreram mais ao emprego de artefatos explosivos, "maiores e mais sofisticados", disse a Unama, que descreveu aumento de 95% no número de civis assassinados e executados.

Pelo relatório, no primeiro semestre do ano aumentou 55% o número de crianças mortas e feridas pelos insurgentes, por isso a Unama pede o fim "dos assassinatos de civis".

"As crianças e mulheres afegãs estão sofrendo cada vez mais com o conflito. Estão morrendo mais do que antes em suas casas e comunidades", lamentou Mistura.

Em contraste, desceram 29% com relação ao primeiro semestre de 2009 as mortes entre civis atribuídas às tropas estrangeiras e afegãs, como Unama, que atribuiu o descenso da aplicação progressiva das direções táticas da Isaf para reduzir as baixas civis.

Primeiro Stanley McChrystal, destituído em junho ao comando das tropas internacionais no país, e depois seu sucessor, David Petraeus, impulsionaram restrições à hora de entabular combates ou dar sinal verde a bombardeios.

Embora os bombardeios aéreos continuem sendo a principal causa de mortes atribuídas às tropas internacionais no semestre passado, com 69 falecidos, representa uma diminuição de 64% em comparação com o dado equivalente de 2009.

Em comunicado, a Isaf assegurou hoje que os dados da Unama estão em linha pelos próprios cálculos, e lembrou que Petraeus já apostou em sua nova direção tática, desde 1º de agosto, por reduzir as vítimas civis até chegar a "um mínimo absoluto".

Em julho passado, a divulgação de 91 mil documentos secretos americanos revelou a existência de operações militares e a morte de civis encobertas.

A Unama pediu hoje de fato às tropas internacionais que façam suas investigações e relatórios sobre baixas civis de forma mais "transparente", e destacou que o semestre desenhou para a população civil "um panorama cru e sombrio".

"O conflito se intensificou nas áreas tradicionais de luta no sul e passou por distritos específicos do norte, oeste e nordeste, e os civis sofreram uma erosão da presença do Governo e um menor nível de proteção".

Como é habitual, o sul, tradicional reduto dos insurgentes, se revelou como a parte do território mais sangrento para os civis, com 684 mortes no período.

O cômputo divulgado hoje pela missão da ONU é superior ao da organização independente Afghanistan Rights Monitor, que cifrou em 12 de julho em 1.074 os óbitos de civis no primeiro semestre.

Além disso, outra organização, a comissão independente de direitos humanos do Afeganistão afirmou neste domingo que nos sete primeiros meses do ano morreram 1.325 civis, um aumento de 5,8 % com relação aos dados do mesmo período de 2009.

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