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10/08/2010 - 22h29

Santos e Chávez restabelecem relações diplomáticas e compromisso na fronteira

Fernando Muñoz.

Santa Marta (Colômbia), 10 ago (EFE).- Os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, decidiram hoje em reunião restabelecer as relações comerciais e diplomáticas, assim como trabalhar de forma conjunta para evitar a presença de grupos armados ilegais na fronteira comum.

Após este histórico encontro, no qual o próprio Santos reconheceu as diferenças ideológicas que o separaram de seu colega, ambos defenderam a paz, a integração e a volta à normalidade.

Desta forma, os dois presidentes deram o passo inicial para construir a confiança necessária para devolver a estabilidade econômica e comercial aos dois países e, principalmente, a tranquilidade à região.

"Decidimos que os países restabelecem suas relações diplomáticas e relançam um Mapa de Caminho para que todos os aspectos da relação possam progredir, avançar e se aprofundar", disse Santos ao final da reunião, que teve lugar na cidade colombiana de Santa Marta.

"Eu comemoro muito este encontro no dia de hoje com o presidente Chávez, duas pessoas que tiveram, ou que tivemos, tantas frequentes diferenças, que decidiram virar a página e pensar no futuro de nossos países e nossos povos", declarou o governante colombiano.

Segundo Santos, a partir de hoje, vai haver "um diálogo franco, direto, sincero, como devem ser todas as boas relações".

De acordo com uma declaração conjunta emitida ao término do encontro, ambos os Governos decidiram "avançar em benefício dos dois povos", especialmente nas áreas de fronteira.

Para isso, decidiram criar cinco comissões de trabalho para pagar a dívida e incentivar as relações comerciais; assinar um acordo de complementação econômica; desenvolver o investimento social na zona fronteiriça; desenvolver infraestrutura de forma conjunta; e garantir a segurança da fronteira, sob o acompanhamento da União dos Estados Sul-americanos (Unasul).

Esta última comissão tem como objetivo "prevenir a presença e ação de grupos armados à margem da lei" e "aumentar a presença de ambos os Estados na zona de fronteira".

O tema é crucial para os dois países, especialmente depois que Chávez afirmou hoje que seu Governo não apoiará grupos armados ilegais em seu território.

"Eu ratifico, e não é preciso que eu diga, já disse um milhão de vezes, o Governo venezuelano que eu dirijo não apoia, nem permite, nem permitirá, presença de guerrilha, nem terrorismo, nem narcotráfico em território venezuelano", ressaltou.

Segundo o presidente venezuelano, a entrada de grupos armados ilegais no território de seu país não é um fato novo, mas sim algo que ocorre há muitos anos.

"Eu lhe peço que acredite em mim, como eu acredito nele (Santos). Patrulhamos, não conseguimos (identificar) nenhum acampamento guerrilheiro, mas também é certo que as tropas venezuelanas enfrentaram a guerrilha colombiana em mais de uma ocasião, temos nossos mortos também", argumentou Chávez.

"Temos que lidar com todos esses fenômenos nas fronteiras, mas que não continuem nos acusando de que nós os apoiamos", disse.

"Não permitamos que amanhã as intrigas, os relatórios, as coordenadas e não sei quantas coisas nos permitam voltar a brigar", declarou, em alusão às acusações colombianas de que guerrilheiros tinham abrigo em solo venezuelano com base em coordenadas de supostos acampamentos das guerrilhas.

A apresentação dessas acusações motivou o rompimento de relações por parte de Caracas no último dia 22.

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