UOL Notícias Notícias
 
11/08/2010 - 11h51

Deslizamentos deixam mais de 1,1 mil mortos na China

Pequim, 11 ago (EFE).- O número de mortos nos deslizamentos de terra que destruíram no domingo um distrito na província chinesa de Gansu aumentou hoje para 1.117, enquanto 627 permanecem desaparecidos, segundo o último relatório das autoridades locais.

O Escritório de Assuntos Civis da província assinalou em comunicado que 567 sobreviventes receberam tratamento médico e que outros 64 estão gravemente feridos no distrito de Zhouqu, onde 30% da população é tibetana.

Cerca de 45 mil pessoas foram evacuadas da região diante do perigo de novos deslizamentos de terra e desabamentos, devido à previsão de chuvas que dificultam os trabalhos de resgate realizado por 10 mil soldados.

Embora os deslizamentos em Zhouqu tenham soterrado inúmeras pessoas desde maio e que a possibilidade de encontrar sobreviventes diminui com o passar do tempo, ainda há milagres como o resgate hoje de um surdo de 50 anos chamado Wang Dianlan após 81 horas sepultado.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, visitou a área atingida, onde o barro formou um lago artificial que ameaça transbordar, embora os soldados tenham conseguido drená-lo até reduzir o risco, assegurou hoje o vice-ministro de Recursos Hídricos, Jiao Yong, em entrevista coletiva em Pequim.

O odor exalado pelos corpos a céu aberto, a contaminação da água e a insistência dos sobreviventes em recuperar seus objetos de valor entre os escombros representam um grave perigo à saúde. Algumas dessas pessoas começaram a sofrer diarreias, segundo constatações dos médicos locais ao diário oficial "China Daily".

No entanto, o subdiretor de emergências do Ministério da Saúde, Zhang Guoxin, assegurou em Pequim que não foram detectados focos epidêmicos na região, aonde foram enviados cerca de 800 médicos.

Uma área de 310 mil metros quadrados foi esterilizada para impedir possíveis epidemias, acrescentou Zhang.

O vice-ministro Jiao também rejeitou as críticas de que a catástrofe poderia ter sido evitada e que foi provocada pela extrema exploração do terreno, cuja área pertence ao município tibetano de Gannan, localizada às margens do rio Bailong.

"Foram causados por condições meteorológicas extremas", assegurou Jiao Yong ao ser questionado sobre os perigos das construções ilegais às margens do Bailong.

Zhouqu sofreu 9 meses de seca e, por isso, as repentinas chuvas de 97 milímetros em 40 minutos foram as causadoras do desmoronamento em massa, justificou Jiao, quem, no entanto, reconheceu o risco de casas ilegais perto do curso alto do rio.

O subdiretor do departamento de Geologia do Ministério de Terra e Recursos, Tao Qingfa, sustentou que o terreno montanhoso, a seca e o efeito do terremoto de 2008 na província vizinha de Sichuan estão entre as causas do devastador desmoronamento.

Esses deslizamentos são mais destrutivos que as enchentes, porque se movimentam em grande velocidade e aumentam de tamanho à medida que arrastam árvores, casas e veículos: "Avançam tão depressa que é difícil que deixem tempo para uma evacuação", acrescentou Tao.

No entanto, os tibetanos, uma etnia que acusa os chineses de reprimir sua cultura, alegam que a construção incessante de represas, a mineração e o desmatamento são os motivos dessa tragédia.

Era o que dizia hoje em seu blog a popular escritora tibetana Woeser. Segundo ela, em Zhouqu estão sendo construídas 47 usinas hidrelétricas, das quais 15 já estão em funcionamento.

"As árvores dos morros foram destruídas, o barro escuro exposto ao ar pode é facilmente notado. O rio se transformou em puro barro por culpa da quimera do ouro", acrescentou Woeser. Segundo ela, Zhouqu não era já apto para habitar.

Em 2006, a universidade chinesa de Lanzhou já havia revelado que o desmatamento, as atividades mineradoras, as represas e outros projetos de desenvolvimento representavam um perigo para a estabilidade dos morros e do frágil ambiente da região.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host