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11/08/2010 - 08h43

Muçulmanos do mundo árabe iniciam o Ramadã em pleno verão

Cairo, 11 ago (EFE).- Milhões de muçulmanos do mundo árabe iniciaram hoje o jejum do mês do Ramadã, que este ano será realizado em pleno verão (no hemisfério norte) e com altas temperaturas, que os fiéis terão que suportar sem beber nem comer do nascer até o pôr do sol.

O Ramadã começou em Jordânia, Egito, Síria, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iêmen, Kuwait e Sudão, depois que as autoridades religiosas avistaram na terça-feira o quarto crescente da lua ou "hilal", que marca o início do Ramadã e o final do mês muçulmano de Shaban.

Nas últimas semanas, não só as temperaturas subiram, mas também os preços dos alimentos na maioria dos países árabes, o que provocou manifestações de protesto no Egito.

"Até as verduras estão mais caras agora que antes", disse à Agência Efe Abdala el Sayed, um motorista egípcio. "O que podemos comer então para romper o jejum do Ramadã?", se perguntou.

El Sayed se queixou de que este ano terá que alimentar sua família com menos carne, porque não pode fazer frente a seu elevado preço, calculado em US$ 10 o quilo.

Na Jordânia, a alta dos preços dos produtos básicos antes do Ramadã também preocupou os cidadãos.

O primeiro-ministro do país, Samir Rifai, alertou os comerciantes na terça-feira sobre suas tentativas de subir os preços dos alimentos sem motivo algum.

"Qualquer aumento de preços significa a ampliação da margem de lucro dos comerciantes, mas o Governo dispõe de todos os meios para fazer frente a esta exploração", declarou à imprensa.

Segundo números oficiais, na Jordânia o consumo de alimentos aumenta em 35% durante o Ramadã, quando, apesar do jejum diurno, são frequentes os excessos culinários nas reuniões familiares.

No Líbano, embora as autoridades tenham solicitado um congelamento dos preços dos alimentos, desde o início da semana foi registrada uma alta no valor dos produtos, sobretudo das verduras e das frutas.

Com a chegada do Ramadã no Iraque, o Ministério de Comércio lançou uma campanha para assegurar a repartição dos alimentos em todas as regiões do país.

"Os preços são altos e também o calor, sobretudo pelo contínuo corte de eletricidade", disse à Efe Samar Abdala, uma professora iraquiana, enquanto fazia compras no centro de Bagdá e ultimava os preparativos para a festividade.

O começo do mês sagrado muçulmano não fez os iraquianos esquecerem a crítica situação política e econômica vivida no país, que ainda não tem um novo Governo.

Devido a estas circunstâncias, um grupo de ulemás e intelectuais iraquianos expressou em comunicado seu desejo de que os políticos aproveitem o mês do Ramadã para acelerar a formação de um novo Gabinete e melhorar a situação da segurança.

Tanto no Iraque quanto no Líbano, os muçulmanos sunitas começaram o jejum hoje depois de verem ontem à noite a primeira faixa da lua crescente, que anuncia o começo de um novo mês lunar.

Quanto aos xiitas, alguns setores observarão na noite de hoje o "hilal", por isso só começarão amanhã o período de jejum.

Na Arábia Saudita, berço do islã, as autoridades permitiram mais uma vez a observação do "hilal" com o uso de telescópios, um tema que sempre foi polêmico no país.

A discussão em torno de como o quarto crescente da lua deve ser observado é levantada já que o método tradicional é analisar o céu sem a ajuda de instrumento algum.

Além disso, o mufti da Arábia Saudita, o xeque Abdul Aziz al-Asheik, a máxima autoridade religiosa do país, permitiu este ano que os doentes de diabetes não jejuem, já que 24% dos 21 milhões de sauditas sofrem deste mal.

Nono mês do calendário islâmico, o Ramadã é considerado sagrado porque, segundo a tradição, foi quando o profeta Maomé recebeu a revelação do Corão.

O jejum, por sua importância, - um dos cinco pilares do islã, junto às cinco orações diárias, a profissão de fé, a esmola e a peregrinação a Meca - deve ser cumprido por todo muçulmano, exceto mulheres grávidas, doentes, crianças e viajantes.

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