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11/08/2010 - 15h42

Santos e Chávez iniciam longo processo de pleno restabelecimento das relações

Bogotá, 11 ago (EFE).- Com a conversa desta terça-feira, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, deram o primeiro passo rumo ao pleno restabelecimento das relações entre os dois países, um longo processo que requer esforços bilaterais, constatam hoje analistas, políticos e empresários.

A decisão de Chávez e Santos de "virar a página", anunciada nesta terça-feira após a crucial reunião na cidade colombiana de Santa Marta, é um passo gigantesco, concordaram hoje autoridades dos dois países. Segundo elas, agora vem o mais difícil, que é passar das declarações de boa vontade aos fatos concretos.

"Estou contente, foi uma ótima reunião (a de Santos e Chávez). Eles se falaram muito francamente sobre as divergências, mas também certamente há muito trabalho a fazer", sustentou a chanceler colombiana, María Ángela Holguín, em reuniões com várias emissoras locais.

Em sua opinião, o que está em jogo a partir de agora é articular uma relação bilateral baseada no "respeito de um para o outro", para "construir algo sem insultos, sem ofender".

Holguín viajará para Caracas no próximo dia 20 para começar a moldar, junto com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, as cinco comissões bilaterais cuja criação foi acordada na terça-feira, em linha com o restabelecimento das relações diplomáticas e comerciais.

Santos e Chávez acordaram em Santa Marta o restabelecimento das relações bilaterais, congeladas desde agosto de 2009 e rompidas por decisão do líder venezuelano no último 22 de julho, em resposta às denúncias do Governo do então presidente colombiano Álvaro Uribe sobre a suposta presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Venezuela.

Ambos também prometeram trabalhar de forma conjunta para evitar a presença de grupos armados ilegais na fronteira comum. Chávez reiterou que não permite nem permitirá a presença da guerrilha na Venezuela, ao pedir a Santos que não deixe que "as intrigas" e "relatórios" de outros os levem novamente a "brigar".

"Agora começa um processo que será lento e que ocorrerá à medida que se programem as reuniões, mas que parece estar apoiado em alicerces firmes. Estes se apoiam na vontade dos presidentes de confiar um no outro", diz hoje o editorial do diário colombiano "El Tiempo", o de maior tiragem no país.

No mesmo sentido se pronunciou o ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998), quem disse à emissora "La W" desejar que "esta reconciliação" com a Venezuela "seja para sempre", ao apontar que Santos "é muito mais flexível às mudanças e à negociação" que Uribe, seu antecessor.

O Governo de Uribe levou, há três semanas, à Organização dos Estados Americanos (OEA), as supostas provas da presença guerrilheira no país vizinho.

Além disso, o advogado do agora ex-líder Uribe apresentou denúncias contra Chávez no Tribunal Penal Internacional (TPI) e contra a Venezuela na Comissão Interamericana de Direitos Humanos por violações desses direitos.

Para o prefeito de Caracas e opositor de Chávez, Antonio Ledezma, que falou com várias rádios colombianas, a melhora na relação "tormentosa" entre os dois países dependerá muito da "conduta dos dois líderes", especialmente do presidente venezuelano, sobre quem disse que "vai e vem".

"A velocidade com a qual Santos e Chávez decidiram se reunir representa uma aposta arriscada. Não iniciam o diálogo sobre uma página em branco, mas uma história de agravos mútuos consideráveis", ressaltou a analista política Arlene B. Tickner em uma coluna publicada hoje pelo diário "El Espectador".

Além disso, ela comenta que as "pressões" dos líderes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner (da Argentina), bem como do secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, e do ex-líder cubano Fidel Castro "para que Chávez acabasse com as tensões com Bogotá ajudaram a suavizar seu discurso".

Noel Álvarez, presidente de Fedecámaras, a principal organização patronal da Venezuela, pediu por sua vez, por meio da "Caracol Radio", que a relação bilateral deixe de se submeter "aos vaivéns de um ou outro governante" e que se elimine "a diplomacia de microfone".

Empresários dos dois lados da fronteira ressaltaram hoje a importância de relançar o mais rápido possível o comércio bilateral, mas com pleno conhecimento de que os níveis de 2008, quando as vendas colombianas à Venezuela chegaram a US$ 6 bilhões, vão demorar a voltar.

Para a Associação Nacional de Exportadores (Analdex) da Colômbia, a prioridade é que a Venezuela comece a pagar a dívida acumulada de US$ 800 milhões com os empresários colombianos, tal como explicou a várias emissoras o presidente da entidade, Javier Díaz.

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